Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Pagina 6

 

 

 

Tradições

de Natal

Por António Jorge Lé

A tradição é um claro e inequívoco

fio condutor que liga pessoas

de gerações diferentes.

Testemunha o passado e traz para

qualquer actualidade usos e

costumes que os nossos antepassados

nos legaram. Foi gente de

boa vontade que, com um carinho

de rara sensibilidade, preservou

esse velho costume. E ele passa de

anos para anos. E porque o Natal é

GRITOS CONTRA A INDIFERENÇA

(Excerto de uma conferência)

Universal dos Direitos Humanos já intervieram pessoas muito

sabedoras como o Professor Doutor Adriano Moreira e o Frei Bento

Domingues.

Os organizadores deste seminário de reflexão pediram-me que vos

tente sobretudo passar a perspectiva que tenho sobre esta temática, a

saber, os direitos humanos aqui e agora. A esse respeito permitam-me

que vos diga o seguinte: após 50 anos da Declaração Universal dos

Direitos Humanos podemos friamente constatar que, na sua grande

parte os Direitos Humanos, estão a ser claramente violados. Permitamme

que não passe em revista os 30 artigos da Declaração Universal dos

Direitos Humanos, o que seria fastidioso para todos, mas deixem-me

dizer-vos que é sabido que 1/3 da população do planeta vivem em

situação de pobreza, a saber, vivem com menos de 2 dólares por dia e

que 1/5 do planeta vive em situação de miséria absoluta, isto é, com

menos de 1 dólar por dia por pessoa. Falar de pobreza é automaticamente

falar de violação de direitos humanos. Efectivamente podemos

dizer que os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

podem ser agrupados em 5 grandes grupos: os direitos civis, os direitos

políticos, os direitos económicos, os direitos sociais e os direitos

culturais. Não há nenhum grupo destes direitos que não seja violado

em situação de pobreza. Uns são sistematicamente violados, outros

muitas vezes violados, outros violados e talvez alguns raramente

violados, mas em princípio todos são violados.

Por outro lado podemos afirmar hoje, e não será noticia para a maioria

de vós, que a existência de um número infindável de conflitos assim

como a existência de milhões de refugiados e de deslocados internos e

a existência de matanças quase sistematizadas em certas zonas do

globo fazem com que, nomeadamente, o artigo 3º da Declaração

Universal dos Direitos Humanos que consagra apenas e só o direito à

vida e que diz que "todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à

segurança pessoal", o mais sagrado de todos, esteja a ser violentamente

violado. Permitam-me também que vos diga o quanto o artigo 22º

que consagra o direito à segurança social está particularmente a ser

violado em muitos países que tenho visitado, sobretudo na África

Subsariana, na América Latina e a Ásia Meridional. Estes dois artigos,

o 3º e o 22º são, por si só, a cabal demonstração que efectivamente a

Declaração Universal dos Direitos Humanos, após 50 anos de

existência, está enferma de uma doença gravíssima que tem por nome

essencial a indiferença, a intolerância e o egoísmo, causas que

conduzem invariavelmente à exclusão, à morte, ao sofrimento e ao

desprezo pelos direitos humanos.

Estamos num mundo onde o desnorte, quanto a mim, já é total, estamos

a caminhar para uma política do caos. Estamos num mundo onde a

ausência de valores predomina. A esse respeito devo dizer que as

finanças se sobrepuseram à economia, que a economia se sobrepôs à

política, que a política se sobrepôs ao social e o próprio social se

sobrepôs à ética e à moral. Num sistema tão desnorteado e desvirtuado

não é de estranhar que estejamos na situação que anteriormente referi.

Muitas vezes as pessoas pensam que por se ter publicado legislação,

por se terem feito tratados entramos num mundo melhor. Nada é mais

errado. A elaboração de tratados é fácil, o problema está na sua não

aplicação posterior. Efectivamente, a Declaração Universal dos

Direitos Humanos é a prova mais que evidente do que acabo de referir.

É pois tempo que se interiorize que os valores e a própria democracia

não são perenes. Temos de estar atentos para evitar derivas que possam

revelar-se fatais para o caminhar positivo da humanidade. Hoje os

problemas são globais exigindo soluções globais. A esse respeito que

ninguém pense que estamos numa nave isolada, que nos podemos

abstrair dos problemas dos outros pois isso é um grande logro. Vamos

ter de nos preocupar com todos porque aí está a condição

sine quanon

para que nós próprios possamos ter um futuro. Ao permitirmos e ao

aceitarmos a violação dos Direitos Humanos estamos a condicionar

negativamente o nosso futuro colectivo.

Se me permitem diria que a geopolítica do caos que está a ser instalada e

que advém de uma revolução financeira-especulativa sem ética e de

proporções medonhas, só possíveis graças à própria revolução

tecnológica extremamente acelerada, está a alargar o fosso entre os

povos ricos e pobres, menospreza os Direitos Humanos e provocará

uma violenta revolução social. Costumo dizer que, infelizmente, as

linhas vermelhas estão a ser transpostas. Os limites do tolerável não

estão a ser respeitados o que faz com que no quadro da revolução

mundial em curso será vital para o futuro da humanidade, uma tomada

de consciência por parte da sociedade civil mundial. O caminhar da

mundialização em curso não é aceitável. É por isso que é preciso pôr

limites e regras a essa mundialização. Hoje em dia sabe-se que 250

pessoas no mundo têm um activo equivalente ao de metade da população

mundial. Essa enorme concentração em algumas mãos não é de

todo aceitável. Essa péssima redistribuição da riqueza e da produção do

mundo é francamente indesejável e terá consequências trágicas para

todos. A experiência demonstra-nos que a monopolização da riqueza e

do saber é sinónimo de violação dos Direitos Humanos.

Nesse sentido e porque estamos a falar no quadro do cinquentenário da

Declaração Universal dos Direitos Humanos, declaração essa promovida

pelas Nações Unidas pouco tempo depois de ter sido constituída,

conclui-se que as próprias Nações Unidas precisam de ser reformuladas.

Actualmente as Nações Unidas estão ultrapassadas, o sistema que

vigora no Conselho de Segurança com 5 membros permanente com

direito de veto não tem mais razão de ser. Há países com expressão

populacional e económica no Mundo, como a Índia, a Nigéria, o Brasil,

o Japão, a África do Sul ou a Alemanha que têm de ter uma voz mais

interveniente para que no Conselho de Segurança das Nações Unidas o

equilíbrio possa ser restabelecido, para que não fique nas mãos só de

alguns e sobretudo daquele que é a grande superpotência mundial, os

EUA. Esse equilíbrio é também fundamental para que as instâncias

emanadas do Tratado de Bretonwoods como o Fundo Monetário

Internacional ou o Banco Mundial possam também ter uma maior

democraticidade já que esses organismos, que efectivamente são

modelos operativos dos poderes dominantes, estão a desequilibrar

várias regiões do Mundo pelos planos que impõem e que vão sempre no

sentido de ultraliberalização do mercado. Uma reformulação das

Nações Unidas é fundamental para que a partir daí se possam reformular

uma série de organismos que não são legítimos nem democráticos

mas que, efectivamente, dominam o planeta. Se essa reformulação for

conseguida e se conseguirmos também uma mudança de mentalidades,

poderemos então ter daqui a 50 anos um discurso optimista no que diz

respeito aos Direitos Humanos. Infelizmente hoje não é o caso para mal

do futuro dos nossos filhos.

Minhas senhoras e meus senhores, permitam-me

que agradeça ao Sr. Padre Frederico Ribeiro,

representante do grupo organizador destas

reflexões e permitam-me que saúde todos os

presentes. Fiquei muito sensibilizado por me

terem convidado sabendo que antes de mim, no

quadro desta reflexão que se está a fazer por

ocasião do 50º aniversário da Declaração

Pelo Professor Fernando Nobre presidente da AMI

Alguns quadros cénicos remontam

ao século XVIII; outros,

como a Romagem do Diabo,

apareceram no século XIX.

Antigamente o

representado em vários teatros

do concelho figueirense. Com

t e x t o s a n ó n imo s b em

elaborados, os Autos Pastoris

da Figueira me-receram sempre

v á r i a s r e f e - r ê n c i a s d e

conceituados autores locais.

Maurício Pinto, Armando

Coimbra, Augusto Pinto, entre

outros, teceram elogios a esta

forma de expressão natalícia.

A Sociedade Filarmónica Dez

de Agosto está a dar continuidade

a esta benquista tradição

que culmina, por altura

dos Magos, com um "séquito

real", pelas ruas da cidade, onde

se destacam as figuras míticas

de Belchior, Gaspar e Baltazar -

os três reis do Oriente que

visitaram o Messias.

Vale a pena continuar a ver estes

ternos quadros da História da

Humanidade.

Presépio era

O LIVRO

BÍBLIA DO

FUTURO

Com a Associação Portuguesa

para a Promoção e Dignificação

do Homem a dar os primeiros

p a s s o s , mu i t a s p e s s o a s

passaram a sentir interesse em

lerem o lívro que lhe serve de

ideário. Quem dessejar adquirilo

poderá dirigir-se à APPDH e

levantá-lo, ou encomendá-lo

por e-mail, por via postal ou

pelo telefone e recebê-lo em

casa. Trata-se de uma oferta do

autor, a quem presentear a

Associação com um donativo

igual ou superior a 16 euros.

Tem 278 páginas. Não é um

livro religioso nem professa

tendências religiosas.Também

não procura demover quem

quer que seja das suas convições

nem exercer qualquer tipo

de instrumentalização. Tanto as

quotas como os donativos

podem ser deduzidos nos

impostos.

Podem utilizar o e-mail:

associacaoppdh@sapo.pt

ou telefone: 213428300

Jornalista

DIREITOS HUMANOS – AQUI E AGORA

6

o aniversário mais antigo que

conhecemos faz sentido, nesta

altura do final de 2007, pegar na

tradição de Natal.

Falo-vos de tradições que se

cumprem na Figueira da Foz.

Os Autos Pastoris e o Auto dos

Reis Magos – antigas representações

teatrais locais – que perduraram

no tempo e en-traram pelo

século XXI.

O

que envolve um misto re-ligioso e

pagão, inscreve-se na memória

colectiva da Figueira da Foz, para

além de se assumir como a

tradição mais antiga da cidade.

Em palco mostram-se Quadros

musicais, plenos de vi-vacidade e

que elevam de forma ingénua e

teatral o nascimento de Jesus.

Há um claro apelo à cultura

popular portuguesa, bem vincada

nas cenas que, outrora dispersas,

se juntaram num auto com características

muito peculiares e a

tocar o ideal vicentino.

Lisboa 28.Dezembro.2007

Presépio, claramente uma peça

A psicologia não é produto dos poderes

nem monopólio dos intelectuais.

Ela é domável por quantos, para

convencerem, oferecerem a melhor

segurança de análise.

A mulher pode cometer veleidades de

ordem financeira e provocar algum

ciúme, mas o homem conquista o seu

mundo ganhando uma mulher.

A nossa força de inteligência será tanto

mais poderosa quanto for o desalento

provocado na força destrutiva.

Bíblia do Futuro

publicado por promover e dignificar às 23:43

link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. A HEPATITE “A” E OS MAUS ...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. APPDH – Para que servimos...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. O DIFÍCIL E COMPLICADO PR...

. Inserção Humana – PROJECT...

. COMUNICADO AOS ASSOCIADOS

.arquivos

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Janeiro 2011

. Abril 2010

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Setembro 2008

. Junho 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds