Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Pagina 5

Ficção vs. Realidade

NA ERA DA PLASTIFICAÇÃO GLOBAL

 

Reza a História que a Humanidade, num tempo não muito distante, conheceu um período que ficaria conhecido como a era do plástico…

Por JOÃO CARLOS FONSECA *

Os sentimentos eram de plástico. Os corações de plástico. Ninguém podia imaginar a vida sem uma percentagem, por ínfima que fosse, de plástico. A política estava impregnada de plástico, bem como os discursos, os sonhos, as ideias, o pensamento.
Quem investigasse os mais profundos e recônditos ficheiros secretos do Poder descobriria a existência de uma microscópica oposição. Um punhado de loucos, que havia lutado contra o domínio avassalador do plástico. E contra a ditadura recusara banhar o espírito na onda de plástico que varrera o Universo conhecido. Mas tinham saboreado a liberdade de consciência em silêncio, receosos da morte plastificada, que a todo o instante espreitava ameaçadora. Eram poucos e poucos sabiam da sua existência.
A indústria do plástico dominava a economia e a riqueza estava toda concentrada no dinheiro de plástico. E o estatuto social media-se pela capacidade de ostentação plástica.
A moda nunca como então tinha sido tanto de plástico! O que casava superlativamente com a beleza, totalmente tomada pelos implantes de silicone, elevados ao maior expoente de imaginável perfeição.
O amor, a paixão, o erotismo, o sexo… conheceram a mesma sorte. Nos anais da morte anunciada perdeu-se o registo do perecimento da poesia, palavra subversiva, precocemente banida dos dicionários de plástico.
Mesmo as artes plásticas, absolutamente rendidas à formal plasticidade do material, tinham perdido a essência criativa. Nelas se incluía a gastronomia: a arte de bem cozinhar plástico para estômagos de plástico.

        Nada era perene. Tudo era efemeramente plastificado… e convertido, reconvertido, reciclado, num cíclico processo de transformação da matéria-prima e de viagem de retorno ao estado original.
A justiça conhecia normas, princípios e valores assentes na filosofia do plástico, que impregnava de lés a lés a sociedade. A religião, a ética, a moral há muito tinham igualmente sido tomadas por aquele terramoto imparável, que reduzia todas as consciências a fragmentos de plástico.
Tudo parecia plasticamente perfeito! E sem plástico, a Felicidade não podia ser concebida…
Até que um dia começaram a correr rumores de que o plástico, que (quase) todos julgavam feito para a eternidade, corria o risco de ser atacado por um vírus letal. Da ameaça ao facto consumado bastou um titubeante pestanejar. A doença evoluiu para estado terminal sem que a ciência e a tecnologia tivessem tempo de alcançar o antídoto.
Os primogénitos arautos da desgraça proclamaram que o mundo aproximava-se do fim. Era impossível cogitar tragédia maior!

      Um enormíssimo vazio varreu a sociedade, a política, a ética, a moral, as ideias, os sonhos, os discursos, o pensamento, os sentimentos, os corações… e toda a beleza de plástico se perdeu!
De nada valeram as derradeiras lágrimas de plástico e os finitos assomos de nostalgia plastificada. Sem os princípios e os valores que o formaram e deformaram, o mundo conheceu uma angústia insustentável, a ameaça de condenação do indivíduo ao mais cruel dos suplícios: a solidão eterna, na prisão do absoluto nada.
Foi então, graças a um milagre de investigação laboratorial – levada a cabo, diz-se, pela oposição –, numa associação complexa de uma centelha de esperança e ínfimas memórias do passado, que se deu a conhecer a mais feliz das redescobertas: a essência da existência não estava na materialidade das coisas.
Foi neste período conturbado da sua História que a Humanidade se reencontrou.

Nota: Artigo publicado na revista
de Cultura e Cidadania – HUMANIDADES, n.º 6, Abril/Junho de 2002.

*  jornalista  e  advogado

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MOMENTO POÉTICO

Luiz de Camões

O tempo acaba o ano, o mês e a hora O tempo acaba o ano, o mês e a hora, A força, a arte, a manha, a fortaleza; O tempo acaba a fama e a riqueza, O tempo o mesmo tempo de si chora; O tempo busca e acaba o onde mora Qualquer ingratidão, qualquer dureza; Mas não pode acabar minha tristeza, Enquanto não quiserdes vós, Senhora. O tempo o claro dia torna escuro E o mais ledo prazer em choro triste; O tempo, a tempestade em grão bonança. Mas de abrandar o tempo estou seguro O peito de diamante, onde consiste A pena e o prazer desta esperança.

 

Ficha Técnica

O Estafeta – registo no E.R.C com o número 125321
Periodicidade: Mensal
Director: Valdemiro E. Sousa
Proprietário e editor: APPDH - Associação Portuguesa para a Promoção e Dignificação do Homem.
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publicado por promover e dignificar às 11:09

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