Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Pagina 4

ACTOS DE FORÇA
 A Violência

Por Ana Cabrita - Psicóloga Clinica

A violência está presente no instinto do ser humano. No entanto, tal não significa que tenhamos de a utilizar em detrimento do próximo.

Violência é uma palavra que provém do latim violentia, tendo como origem o termo vis que significa força, ou força empregue contra alguém. A violência indica automaticamente o recurso à força para atingir o outro na sua integridade física e/ou psicológica. Esta está presente em todo o ser humano, sendo uma pulsão de vida que permite a auto-conservação do indivíduo, desde que não seja em detrimento do próximo, mas que também se pode tornar em pulsão de morte. Tal facto, leva-nos a questionar se o Homem tem evoluído ou involuído, visto que ao mesmo tempo que se evolui a nível científico e de técnica, se "evolui" nocivamente no campo da destruição, nomeadamente na destruição do nosso semelhante. A violência, é uma coacção física ou moral, de carácter individual ou colectivo, exercida pelo homem sobre o homem, na medida em que é sofrida como um ataque ao exercício de um direito reconhecido como fundamental ou a uma concepção do desenvolvimento humano possível num dado momento (Économie et Humanisme, 1969).
Como dizia João Paulo II "A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano".
Somos violentos quando não conseguimos ser suficientemente fortes para nos impormos revelando apenas cobardia. Assim "a violência , seja qual for a maneira como se manifesta, é sempre uma derrota"(Jean-Paul Sartre). Ao contrário do que muitos pensam nada trás de bom e nem é sinal de força, mas sim de fraqueza, acabando por ser destruidora e incitadora de conflitos.
Muitos alegam a violência em prol da defesa, mas a verdade é que podemos ter comportamentos agressivos mas não violentos. Podemos expressarmo-nos de forma agressiva, podemos por exemplo partir objectos mas tal não implica que sejamos violentos com os outros. Muitos dizem que os seus comportamentos agressivos libertam a sua raiva e frustração. Em última instância, se isso os faz sentirem-se melhores (este descontrolo emocional) ganhem consciência de que ficam inferiores para com a condição superior que somos; e  tenham em atenção as pessoas que os rodeiam de forma a não as tornarem o foco da sua raiva/frustração. Não as tratem como meros objectos que depois de partidos se deitam para o lixo ou se colam. As pessoas têm sentimentos e esses não se "colam" nem se desprezam ou eliminam!
Há quem diga que o Homem é um ser violento por excelência mas existem várias formas de violência, estando todas elas na base animalesca que se encontra nos genes que herdamos dos nossos antepassados. No entanto, devemos recorrer à racionalidade e emocionalidade de forma a controlarmos esses instintos animais que não justificam a crueldade de provocar sofrimento no nosso semelhante! Quem acha que ser violento é ter poder sobre o outro esse é apenas o argumento dos que não têm razão. Na maior parte das vezes, por de trás de um acto violento vem um pedido de desculpas, como se tal remediasse o mal gerado que está na base de um prazer morbido de através da dor (física ou psicológica) mostrar sua força/virilidade. Há quem somente pense na violência física mas por vezes a violência psicológica é pior e mais destruidora provocando "feridas" dificeis de sarar! "A violência psicológica consiste em um comportamento (não-físico) específico por parte do agressor. Seja este agressor um indivíduo ou um grupo específico num dado momento ou situação "(wikipédia). As formas mais comuns deste tipo de violência são a regeição, indiferença, desrespeito, discriminação, insultos..... que por vezes perduram no tempo provocando na vítima danos irremediáveis.
Desta forma, pensem duas vezes antes de terem comportamentos violentos, esses não vão fazer com que tenha razão nem que atinja os seus objectivos. Não se esqueça,  o importante é que as pessoas o respeitem e não que tenham medo de si! E o respeito ganha-se através dos seus actos racionais e não de forma bruta e insensata. Se não concorda com os comportamentos ou opiniões dos seus semelhantes tente transforma-los e não extingui-los, e não se esqueça que muitas vezes nem tudo o que você acha correcto é o que realmente deve ser feito ou dito! Lembre-se que também erra, que tem defeitos e que está nesta vida para aprender...sobretudo com aqueles que o rodeiam.
Uma das coisas importantes da não violência é não se buscar destruir a pessoa, mas transformá-la (King, Martin). E um Homem sensato deve transformar-se com as aprendizagens e ensinamentos,sendo esta a melhor herança de algo tão jenuino a que chamamos vida e vivência digna em sociedade.

 

Amor, Compaixão e Liberdade:

vale a pena viver e lutar!

Por: Fernando Nobre


Não sei quanto tempo me resta de vida. Nenhum de nós sabe ao certo e é bom que assim seja. Quando temos 20 anos, pensamos ter a eternidade terrena e ainda bem! Temos então forças e sonhos, ou pensamos ter!, para mudar o Mundo, torná-lo muito melhor, se possível no paraíso reencontrado.

Não há então montanha inacessível, obstáculo inultrapassável, desafio impossível. Já tive 20 anos. Era de aço, dizia o meu Pai, e tinha muitos sonhos. Foi lindo. Pensava que nascíamos todos puros, ingénuos e bons. Magnífica primavera com miragens idílicas: teria o meu hospital no mato tal Albert Schweitzer!
Hoje, ao completar 56 anos, já não sou de aço, já não consigo ficar três dias sem dormir, sempre a trabalhar a olhar pelos meus doentes, como fazia nos hospitais de Bruxelas… Estou no Outono da minha vida e o Inverno vem a galope… Já não há eternidade terrena, já sonho menos, já só há efemeridade e bastante inquietude pelo estado do Mundo. Numa altura em que às vezes os filhos se afastam, estão no seu direito, em que a morte nos ceifa ou ameaça ceifar, amigos, familiares próximos… as interrogações nos tiram o sono… A nossa pequenez interpela-nos: ainda bem.
Vai-se alguma ingenuidade, fortalecem-se algumas certezas.
Assentadas as poeiras estéreis das vaidades, das importâncias e das ambições, só já a valsa das galáxias e o amor dos nossos entes mais queridos nos encantam. Já sabemos que não vamos endireitar o Mundo (de que enorme arrogância padecíamos!), mas sabemos algumas coisas. Sim, sei com a máxima certeza absoluta que vale a pena ainda continuar a viver e a lutar pelo Amor, pela Compaixão e pela Liberdade. Com Paixão. É indeclinável. Sem apelo.
Aos 56 anos, já tudo o resto é fútil, ilusão. Foi-se o aço mas ficou a certeza: não me acomodar com a insensibilidade, com a indiferença, com a falta de amor, de compaixão e de liberdade com que alguns nos querem prender… Envenenando-nos, envenenando-me.
Numa altura em que folhas secas já começaram a cair da minha árvore, levadas por um vento cada vez mais fresco, há meia dúzia de flores que se agarram ao meu tronco com a tenacidade da perenidade.
São as flores que me acompanharão até ao fim e que vos gostaria de oferecer neste final de ano com o desejo sincero que elas se incorporem no vosso tronco e nunca vos abandonem, estejam vocês onde estiverem e seja qual for a estação que estejam a viver.
Amor, compaixão, liberdade, sensibilidade, harmonia, tolerância. Vivam com elas, lutem por elas. Vale a pena. Eu vou fazê-lo. A AMI vai continuar a expandi-las. É em nome dessas flores que chamo filhos a todas as crianças do Mundo e amigos a todos os seres humanos. Já não consigo viver de outro modo.
É essa hoje a minha luta. É ela que me mantém ainda vivo. Afinal ainda tenho sonhos…

*Presidente da AMI

Toda a criança tem direito a ser criança

 

Por: Inês Pais Abreu
Jornalista e estudante de Direito

 

 É este o tema de uma recente campanha publicitária a um detergente, que apregoa a recuperação da vida ao ar  livre das crianças, em detrimento das crescentes preocupações com a higiene e a saúde, conducentes a uma vida mais sedentária.
Considerações publicistas à parte, independentemente do objectivo comercial e real da campanha, não há dúvidas de que o tema e a forma como é abordado levanta outras questões.
Na nossa época apregoa-se a liberdade, apesar disso esta é cada vez mais reduzida na forma de estar e até de brincar das crianças. Aquilo que há uns anos era considerado bom e saudável passou a ser visto como perigoso e excessivo. A tão apregoada liberdade tornou-se um sufoco de normas e convenções que prometem uma vida quase eterna e livre de mazelas. Tal revela-se na alimentação, na exposição ao sol, nos brinquedos, nas normas de segurança rodoviária...
Mas até que ponto viver sob todas estas regras não oprime e comprime os movimentos?
Os padrões alteraram-se é certo. Exige-se mais quanto à escolaridade e ao grau de aprendizagem, sendo tal cada vez mais impulsionado pela crescente competição e raridade de postos de trabalho. Revela-se um nivelamento do indivíduo pelo fazer e pelo ter e não pelo ser. Este facto concretiza-se até nos brinquedos e na visão consumista que se permite às crianças. É considerado normal pela maior parte dos pais proporcionarem aos seus filhos aquilo que a estes parece da maior urgência: os brinquedos acabados de chegar ao mercado.
A realidade tem vindo a ser progressivamente mais virtual, menos comunicativa e direccionada para o exterior. O ambiente e a natureza tornaram-se verdadeiras incógnitas para muitas crianças que crescem nos meios urbanos.
É importante garantir que as crianças saibam, independentemente dos medos dos pais, experimentar outras realidades que não a virtual, sem a dúvida constante de se tal agride de alguma forma a sua saúde ou segurança, sob pena de mais tarde se tornarem adultos sedentários e constantemente receosos de cometer erros.
As preocupações são plenamente válidas e fazem todo o sentido, mas há que contrapô-las com o outro lado da questão: aquilo que se tem a perder. Perder realidade, perder convivência, perder contacto com o ar livre, são razões mais do que suficientes para ponderar a actual forma de lidar com as crianças e com a percepção do mundo que se lhes transmite.

publicado por promover e dignificar às 11:18

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