Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Pagina 3

  E D I T O R I A L

IDEOLOGIAS  -  TENDÊNCIAS   - NEUTRALIDADES


   Quando os destinos de uma nação  ou do mundo estão em causa, as tendências ideológicas de direita, esquerda, centro e dos extremos, não podem ter direitos exclusivos de denunciarem problemas carentes de urgente resolução. Tais  como haver milhões de pessoas a viverem diariamente coma  ganharem milhares de vezes mais; os capitalismos que são de Estado ou de direita; se as máfias têm conotações políticas; e se a culpa do tráfico de droga é da direita ou da esquerda. Porque, a resolução dos problemas deve estar acima de todas as tendências e protagonismos.    

Não somente em Portugal, mas também aqui, os destinos do homem são discutidos e geridos segundo as ideologias, as conotações partidárias, os interesses pessoais e pela conquista de protagonismos. Estes não se compadecem do mal que graça e se repercute.
     Todos os cidadãos têm direito – e mesmo o dever – de pensarem com a sua cabeça, defenderem o modelo de sociedade que acharem melhor, adoptarem a religião e a doutrina que mais lhes agradar, pertencerem ao clube desportivo da sua simpatia, dizerem o que a sua filosofia de vida e a sua integridade lhes aconselhar. Mas muitos de nós somos influenciados pela fatídica instrumentalização.
    A alegada participação democrática  - e com a democracia a ser assumida sob contornos duvidosos – centra-se nos partidos políticos. Estes querem crescer e fortalecer-se. Daí a implementação de estratégias  para capatação da adesão das massas que não raras vezes cedem à demagogia e não tanto à vontade pessoal e a ideais próprios. E os líderes, nos actos públicos, defendem em primeiro lugar os interesses politico-partidários em detrimento dos interesses do país e dos cidadãos. Por vezes dão maus exemplos comportamentais, mesmo em representação do povo.
     Todavia, existem excessões à regra. Por vezes as coisas correm bem ou menos mal, principalmente quando o poder de decisão  está do lado das maiorias, com a aprovação de moções e projectos na gestão da vida pública e privada, sem as oposições a atrapalhar. Mas tudo tem de mudar nas consciências de quem exerce poderes decisórios. É necessário que a integridade deontológica e a moral se situem à frente de tudo o mais.
     Na defesa das melhores decisões e dos direitos e interesses dos cidadãos, a defesa dos interesses politico-partidários deve situar-se num quinto lugar. Primeiro os interesses do colectivo dos cidadãos e a sua dignificação; em segundo a garantia da sobrevivência a todos os níveis: nutrição, cuidados de saúde, escolaridade, coesão na condição familiar; em terceiro a construção da paz local e mundial; em quarto  a implementação de uma justiça que promova  o civismo e o entendimento entre as pessoas; e só em quinto se deve tolerar a defesa das questões ideológicas e politico-partidárias, que entretanto devem revelar coesão na defesa do meio ambiente  e de um mundo melhor.
      Situando-nos em questões locais e não só, não devem ser questionadas nem comentadas avaliações inoportunas, tais como:  dizer-se que  Cavaco Silva faz discursos de esquerda; que Sócrates faz politica de direita; que determinado gestor é conservador; que Putin  deixa enriquecer os que não se metem com ele; que a China surpreende pela oportunidade dada ao amealhar de riquezas. Porque, o que importa decisivamente é o alcance das soluções, sem entraves resultantes da demagogia ou da doutrina partidária.
     Está na moda o desejo, por parte dos políticos, de fazerem coisas sem consistente sentido, como os referendos. Se os deputados foram eleitos para representarem o povo, são eles que devem decidir as matérias que se pretende referendar, evitando trabalho desnecessário e a oneração dos cofres do Estado.Tanto mais que muitos são os cidadãos que não têm opinião formada nem dão significativa importância ao voto que lhes é pedido, razão pela qual a votação fica, em muitos casos, a baixo dos 50%. E de acordo com o que atrás ficou exposto sobre a postura que se pretende dos políticos, os cidadãos devem conceder-lhe o direito  da mais ampla representatividade, já confirmada nas eleições legislativas.

     Posto isto, nenhum de nós deve olhar para a outra pessoa procurando descortinar ideologias, doutrinas  ou clubismo diferente  e que essas diferenças sejam motivo de incompatibilidade, quando em primeiro de tudo se deve ver nelas um ser igual a nós e promover a aproximação e a amizade.                                 E quando discutirmos situações tendenciosas, que tal não sirva para a criação de animosidade, antes consideremos desfrutar de um direito que nos cabe dentro das diferenças que mentalmente nos distinguem.

   Entre a aprendizagem em que nos envolvemos vida fora,  não esquecemos crescente melhoria comportamental que ajuda, a nós e aos outros, a sermos mais sociáveis e mais superiores, com base na inteligência de que somos dotados. Quem aprender a compreender e a tolerar o mundo, pode tornar-se juiz da razão; e carecemos de escolas onde eficientemente se ministre também a psicologia suficiente para a coesão entre os diferentes níveis sociais.
  As pessoas tornam-se agradáveis e prestáveis se psicologicamente  as soubermos compreender  e as ajudarmos a ultrapassar barreiras. E se somos pouco contemplados  pelas atenções alheias a culpa é nossa, por não sabermos, com absoluta integridade deontológica, falar ao coração dos outros. Poucos são os que sabem devidamente definir a razão, mas são muitos os que pensam saber criticar.A auto-análise é tão deficiente quanta for a incapacidade para se reconhecer os méritos dos outros. Falar das virtudes pessoais é algo duvidoso, principalmente quando as não sabemos avaliar.
   Aliando estas considerações à necessidade de se colocar em primeiro lugar o interesse dos países e dos cidadãos com a abdicação dos interesses politico-partidários e assumindo uma postura de neutralidade, todo o trabalho que se fizer vai resultar na economia de tempo e da não oneração dos cofres do Estado. E no mais rápido e melhor alcance de resultados.

O Director

Um Conto para os mais Jovens

FEZ-SE LUZ NUM DIA NEGRO

O dia apresentava-se morno. O calor sufocante dos últimos tempos parecia ter terminado.
Uma brisa suave fazia sentir-se, o que proporcionava um bem-estar físico e causava uma sensação agradável que nos fazia estar bem com a vida.
O Sr. Mota, como de costume dava início ao seu passeio matinal dos fins-de-semana com o seu cachorro, o Traquinas, um Samoiedo de origem nórdica, nomeadamente da Sibéria e Alasca, sem sonhar o que lhe viria a acontecer nessa manhã.
O Traquinas não conheceu os seus progenitores e chegou a uma loja de animais, num centro comercial, ainda com os olhos fechados. E quando os abriu viu-se rodeado de outros cachorros que também aguardavam novos donos. Foi ali que o Sr. Mota o descobriu, se apaixonou por ele e o adquiriu.
    Com o pêlo farto e branco de neve, mais parecia uma pequena ovelha, de olhitos muito azuis, nariz arrebitado, sinal de bem dotado de faro – naquelas paragens os odores são pouco diversificados – atraía qualquer pessoa. O Sr. Mota achou o preço um tanto exagerado quando o adquiriu, mas hoje não o cedia por dinheiro nenhum. Eram inseparáveis. Como quase todos os donos de canídeos, também já admite que ao Traquinas só falta falar. Todas as manhãs, às oito horas, levava-o à rua, dava a volta ao bairro da sua residência, para satisfazer as necessidades do seu companheiro. Nos fins-de-semana, porque o dono se atardava, o Traquinas já sabia que o passeio se alongava pelo Parque. Ficava mais alegre e excitado, dando pulos em volta do dono, com sinais de grande contentamento.
     Aquando da sua aquisição e apresentação à família -mulher e filha-  D. Mafalda e Ana Rita,
pôs-se de imediato a questão do nome a atribuir ao recém-chegado. Depois de várias sugestões, vingou a proposta da filha, que lhe deu o nome de Traquinas, por ser o que os pais frequentemente lhe chamavam quando era mais nova, embora a Ana Rita seja ainda uma criança de seis anos.
Foi crescendo e brincando com os seus brinquedos, os ossos para roer, foi sendo educado a não ladrar, a deixar-se lavar, a fazer as suas necessidades a horas e lugares certos e a estar à
mesa. Chegado aqui já era um "senhor". Entretanto o tempo foi passando. Já tinha um ano quando aconteceu o primeiro desgosto na vida feliz que o Traquinas levava.
Como era hábito o Sr. Mota levava o seu amigo pela trela, enquanto não atingiam o Parque,
onde o Traquinas era dispensado dessa tirania.        Como era normal a travessia da rua faziam- na pela passadeira e foi nesta última "etapa" que se deu o imprevisto. Dois carros a par pararam para lhes dar passagem, porém um terceiro carro por distracção ou por não se dar conta que transeuntes estavam atravessando, só travou quando notou a presença do animal.
Tarde demais, porque ainda apanhou um pé ao Sr. Mota, levando-o a dar uma cambalhota, por rodopio, que o prostrou na via. O Sr. Mota perdeu os sentidos.
De imediato, juntou-se um grande número de mirones. Logo se ouviram vozes de protesto aos condutores, em geral, e aos aceleras em particular. Uns eram de opinião que o culpado deveria conduzir o sinistrado ao hospital, outros que não, poderia haver algum inconveniente, que somente pessoal especializado deveria socorrer a vítima, etc.
Entretanto, um popular mais avisado utilizando o telemóvel ligou ao 112 informando do que se passava, outros procuravam uma autoridade para tomar conta do caso.
O incauto causador do acidente dizia mal à sua vida, ao seu azar, levando as mãos à cabeça, enquanto tentava desculpar-se perante os protestos e as vaias dos circunstantes. O Sr. Mota ali estava prostrado, sem sentidos, ao que parecia. Inconsolável estava o Traquinas. Quando ladrava e uivava junto do dono, como que a chamá-lo a si, corria de um lado para o outro, virava o focinho para toda a gente, como a pedir-lhe que fizessem qualquer coisa em auxílio do dono. Não sei se os cães tem o dom de pensar, mas estou em crer que sim. O Traquinas devia estar e a perguntar porque é que aqueles paspalhos não ajudam o dono? Não compreendia tanta desumanidade.
    Alguns minutos passaram, até que chegou a ambulância do INEM e logo após, o carro da Polícia. Com eficiência e rapidez o Sr. Mota foi colocado na ambulância que de imediato se pôs em marcha para o Hospital. Do Traquinas ninguém se lembrou. Ali ficava se não tomasse a decisão de não abandonar o dono e eis que se lança na perseguição da ambulância. Com grande esforço, arrastando a trela, conseguiu assistir ao transporte do dono para o Serviço de Urgência.  Ainda tentou segui-lo mas também o impediram. Era demais. Ali ficou à porta a uivar baixinho, chorando a sua desdita.
     Em casa, a D. Mafalda depois de dar banho à filha e de lhe servir o pequeno-almoço, preparava-se para sair. Como era habitual, passava pela banca dos jornais, comprava o DN,
Juntava-se ao marido para tomar o café e ler o jornal, enquanto a Ana Rita tomava conta do Traquinas. Toca o telefone. Era do Hospital. O pai foi atropelado, grita para a filha, veste-te depressa. Apanharam um táxi e em poucos minutos chegaram ao Hospital. À porta encontraram o Traquinas que lhes fez entusiástica recepção. A dona acariciou-o ligeiramente, mas logo o abandonou, por estar ansiosa por saber do marido. O Traquinas mais uma vez não compreendia este afastamento.
    O Sr. Mota entretanto foi submetido a observações médicas, a exames de RX, sobretudo ao pé directamente atingido. Decorridas duas longas horas apareceu, já recomposto, com o pé engessado, usando um estribo de marcha, por cautela, disse o Médico, que mandou voltar dentro de oito dias. Regressaram os quatro para casa, dando graças a Deus, por não ter sido
um desastre ainda pior.
Tenho a certeza de que o Traquinas era o mais contente. A sua alegria era indescritível por isso escuso-me de a relatar.

NOTA. Se algum menino ler esta história deve aconselhar os pais a ter mais cuidado ao atravessar as ruas.                    

J. Proença.


publicado por promover e dignificar às 11:20

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