Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Pagina 12

LISBOA - A requalificação adiada

 

Por José Proença

 

Quando a actual edilidade de Lisboa tomou posse, os seus mais directos responsáveis prometeram dotar a cidade de vários melhoramentos. Para além do saneamento financeiro, esperavam levar a efeito a requalificação da Baixa, cujo estudo efectuado por um grupo liderado por Mª. José Nogueira Pinto, estava pronto para ser implementado; também foi prometido melhorar os bairros mais degradados; tapar os inúmeros buracos dos passeios e arruamentos que se multiplicam como cogumelos, originando quedas com graves consequências para as pessoas – julgo que é em Lisboa que se vê o maior úmero de pessoas usando "canadianas"devido a quedas nas ruas -.
 Salvo o erro, foi o próprio Presidente da Câmara que disse ser prioritária a pintura das passadeiras para peões, pois estavam quase invisíveis. Pintaram-se apenas algumas na Baixa! O tratamento e alindamento dos jardins foram outras garantias dadas aos munícipes mas ainda não concretizadas, exceptuando o de S. Pedro de Alcântara. O jardim do Campo Grande está quase "careca" e num estado desolador. A piscina, coberta de Inverno, há muito que foi encerrada e encontra-se num estado de degradação inaceitável. Os jovens e idosos que a frequentavam para ginástica e natação ficaram sem esse benefício.  

O parque infantil está sendo invadido por rapazolas afastando as crianças ou seus responsáveis de o utilizar. A polícia não se mostra! A GNR a cavalo que por ali aparecia, de tempos a tempos, deixou de se ver. Agora não há patrulhamento de qualquer força de segurança, o que impede a frequência, ou mesmo a passagem de pessoas pelo jardim, por se temer o risco de um assalto, sem socorro à vista. Aproveitamos a ocasião para referir a falta de sanitários, não somente neste jardim, como em tantos outros, onde predomina a presente de crianças e idosos, os quais como é sabido, precisam com frequência de fazer as suas necessidades.

A Av. da Liberdade é outra vergonha da cidade. Nas esplanadas fora de serviço amontoa-se lixo de toda a espécie. Dorme por ali gente sem abrigo, acumulam-se cartões, papeis, fezes e sabe-se lá ratos e pulgas, além de um cheiro nauseabundo! No Rossio, há quanto tempo um dos repuxos, de belo efeito, está inactivo? E sujo, por vezes com água estagnada, cheio de detritos de vária ordem! E já agora uma referência à célebre calçada à portuguesa. Quem lhe acode? E a nós?

Espero que o senhor Presidente aceite este rol de prioridades como um simples alerta, na tentativa de cooperação e não um ataque à sua pessoa porque, nós, na APPDH, não condenamos, desejamos sim uma vida melhor para a cidade e para a população.

 

Alicerces de uma Nação

Nascido provavelmente em 1109, D. Afonso Henriques é o grande propulsionador da independencia de Portugal. Para o efeito, tem de enfrentar D. Teresa, sua mãe. Esta, depois de ter ficado viúva do conde D. Henrique passa a usar o titulo de rainha (1117), confiando o governo do Condado Portucalense ao fidalgo galego Fernão Peres de Trava (1121). A situação gera descontentamento entre os nobres de Portugal, que são afastados da corte, mas ganham um precioso aliado no infante Afonso Henriques, armado cavaleiro em Zamora com 16 anos.
Principais Batalhas:
- Cerco de Guimarães (1127) - Por D. Afonso VII, de Leão. O exército sitiante retira graças ao papel desempenhado por Egas Moniz, o qual promete que D. Afonso Henriques prestará a vassalagem requerida pelo imperador das Espanhas.
- Batalha de São Mamede (1128) - Travada em consequência da revolta de D. Afonso Henriques e dos barões portucalenses contra o governo de D. Teresa e de Fernão Peres de Trava. O exército galego sai derrotado. D. Afonso Henriques proclama "Eu, o infante Afonso, filho do conde D. Henrique, livre de já toda a opressão e, pela providência de Deus, na posse pacifica de Coimbra e de todas as cidades de Portugal..."
- Reabertas hostilidades (1130) - Expedição a Portugal de D. Afonso VII primo de D. Afonso Henriques, que almeja tornar-se unico senhor da cristandade penisular.
- Paz de Tui (1137) - Após fundar o Castelo de Leiria (1135) e de ocupar os condados galegos de Toronho e Limia (1137). Afonso Henriques é forçado a algumas cedências, causadas pelo avanço mouro a sul do território. Assim, assevera ao imperador Afonso VII "fidelidade, segurança e auxilio contra os inimigos".
-  Batalha de Ourique (1139) - Primeiro grande triunfo de D. Afonso. É Dia de Sant`Iago, 25 de Julho. As suas forças desbaratam as do chefe islâmico intitulado rei Esmar, que se apresenta em maior número. Muitos consideram a vitória um milagre, que atribuem à Divina Providência. À luz de investigações posteriores, despido o manto da lenda, Ourique não passaria de um simples fossado. Só que o mito cresceu, cristalizou-se. Afonso Henriques faz-se proclamar rei no campo de batalha e escolhe as armas e o escudo nacionais.
- Represália (1140) - Os muçulmanos arrasam, em represália, o Castelo de Leiria, que será reconquistado em 1145.
- Independência de Portugal (1143) - Na presença do cardeal Guido de Vico, celebra-se a paz entre D. Afonso Henriques e D. Afonso VII de Leão. Em Zamora, ao infante português é reconhecido o titulo de rei, pelo que presta vassalagem ao papa a troco de um tributo anual. Acto fundamental da independencia de Portugal do reino de Leão.
- Mouros escorraçados (1147) - Primeiro de Santarém, seguidamente de Lisboa, após cinco meses de cerco. O reino dilata-se.
- Rei ferido e preso (1169) - Em Badajoz, no campo de Batalha, D. Afonso Henriques na fuga, parte uma perna. Tem 32 anos e nunca mais pode montar a cavalo. Feito prisioneiro, o rei de Leão concede-lhe liberdade contra o compromisso de suspender as ofensivas à cidade e de devolver terras à Galiza.
- Independencia (1179) - Através da bula Manifestis Probatum, a Santa Sé reconhece formalmente o titulo de rei a D. Afonso Henrqiues, declarando Portugal independente. O monarca português planteia Roma com mil moedas de ouro.

- Os relatos da época – descontados os elogios de praxe - delineiam um perfil justo, generoso e irreverente. Retratam o caráter corajoso, sujeito a crises de cólera, capaz de atos de violência e de reconhecer seus erros. Elogiam a frugalidade à mesa e ressaltam a tendência conquistadora. Não apenas de poder e terras. De mulheres, também. Ou principalmente.
Casado com a discreta Mafalda de Sabóia - com quem tem sete filhos, entre eles, o herdeiro Sancho –, Afonso Henriques abençoa quatro bastardos. Um documento de 1184, descortina o inesperado pai carinhoso. Quando uma de suas filhas legítimas casa com o conde de Flandres, Afonso Henriques não titubeia. Para alegrar a noiva, enche vários navios com o que existe de mais fino. As naus saem do porto de Lisboa abarrotadas de vestidos bordado a ouro, jóias preciosas, sedas, mais ouro, mais jóias, tudo que pudesse alegrar a menina alegre, filha de pai poderoso.
O testamento de Afonso Henriques, primeiro rei do primeiro país europeu a adquirir consciência de nacionalidade, revela que, até na morte, ele se comporta como estadista. Sua imensa fortuna, amealhada em mais de meio século de guerras e saques, confunde-se com o próprio tesouro português. O rei a destina ao fortalecimento da nação. Por ordem dele, centenas de milhares de maravedis são entregues à defesa - El Rei pressente que os mouros preparam um contra-ataque. Outra centena de milhares constróem hospitais e sustentam ordens religiosas e militares. Os mais pobres recebem seu quinhão. Erguem-se igrejas e catedrais. Conventos acolhem doações e sustentam-se anos.
Ao herdeiro, Sancho I, Afonso Henriques deixa a única recomendação geopolítica: a construção de uma ponte entre o norte e o sul do país para não se perder a unificação que ele custara fazer e manter. Pena que não existam registros se Sancho obedeceu, ou não, às ordens paternas.
Afonso Henriques, o pai da pátria portuguesa, morre no dia 6 de dezembro de 1185 com 76 anos, em Coimbra, mesma cidade onde nasceu. O seu corpo foi enterrado no Mosteiro de Santa Cruz.

 

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publicado por promover e dignificar às 12:45

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