Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Pagina 9

A VENDA DE COMBUSTIVEIS

E AS CONTAS (MAL) FEITAS

O Estado obteria maiores lucros e receitas se
 nivelasse os preços com os de Espanha


O Estado obteria maiores lucros e receitas se nivelasse os preços com os de Espanha

O actual preço de venda dos combustiveis, resultando em elevadas margens financeiras para o Estado, está a ser prejudicial para as finanças do próprio Estado. Senão vejamos:

Os postos de venda estão a registar avultadas quebras nas vendas, porque os espanhóis que nos visitam entram na fronteira portuguesa com os depósitos cheios e regressam com eles vazios, reabastecendo já em território espanhol.Também os nossos emigrantes e os visitantes vindos de outros países europeus fazem o mesmo. Tenhamos em conta os milhões de espanhóis que nos visitam, nem que seja apenas para tomarem as  refeições da gastronomia portuguesa que muito apreciam.
Por sua vez, as empresas de transportes de longo curso aproveitam a diferença, havendo ainda elevado numero de veículos privados portugueses que são capaz de percorrer mais de 50 quilómetros para irem abastecer em Espanha. Alguns não se limitam a encher o depósito do carro, levando também um tambor que trazem cheio.
Se tivermos em conta o que acabámos de frisar e o (benéfico) crescente fluxo turistico, chegamos à conclusão de que - ainda que sem bases em concreto -  os postos de venda portugueses poderiam vender mais cerca de 50 %,  se os preços estivessem nivelados com os de Espanha...
Eis uma simulação que nos dará a ideia das contas (bem feitas) e do que se perde se os nosso preços fossem iguais aos de Espanha. Exemplo relativo a 1.000 litros de gasolina vendidos em Portugal.

1.000 litros a 1,374 euros ao preço de 18/04/08 - 1.374 euros
Acréscimo de 50 %  =  a 1500 litros a 1,096  (preço de Espanha)  -  1.644 euros
Teremos assim um benefício de 270 euros, apenas em 1.000 litros vendidos aos preços actuais e com o acréscimo de 50% nas vendas.

Outros beneficios
- as receitas do Estado aumentariam, embora com taxas mais baixas;
- A industria portuguesa ficaria desagravada e mais competitiva;
- Os particulares consumiriam mais combustivel com menos dinheiro;
Os postos de abastecimento venderiam mais e aumentariam os lucros, pagando mais impostos ao Estado.
Todos ficariam a ganhar, Estado incluido.
Então, meus senhores dos Ministérios da Economia e das Finanças, por que esperam?
    Façam (bem) as contas e estarão a promover a economia em Portugal e dos portugueses.
Este artigo, elaborado numa óptica construtiva, foi enviado antecipadamente aos Ministérios da Economia e das Finanças.

 

O PEDINTE  REABILITADO

Não sei se já lhes contei que, em certa altura da minha vida me dei conta que estava a engordar demasiadamente prejudicando-me a saúde, em particular na área cardíaca. O médico receitou em conformidade e disse-me peremptoriamente:

- Tem de emagrecer dez quilos, pelo menos, e deixe de fumar.

Levei à risca o tratamento e o conselho do clínico. Em menos de um mês abati doze quilos. Obtive sensíveis melhoras e também um problema: que fazer com o vestuário? Especialmente com os fatos, pois de bem cingidos ao corpo, passaram a ficar larguíssimos. Mandar apertá-los, seria caríssimo e exigia caminhar para o alfaiate diversas vezes. Os fatos, embora muito usados, estavam ainda em bom estado. Mais valia adquirir outros no pronto-a-vestir. Assim fiz.

O problema que se me pôs a seguir, foi como me desfazer deles. Entregá-los nos serviços sociais da Junta de Freguesa ou na Igreja mais próxima seriam hipóteses, mas ouvimos falar de tantos descaminhos, que o melhor seria dá-los directamente a quem deles necessitasse. Foi nesse sentido que me dirigi a um"excluído" visto muitas vezes, abrigado junto à Estação de Santa Apolónia e que me parecia que lhe serviriam.

Aproximei-me. Estava sentado nos degraus, cobrindo-se apenas com um velho e sujo cobertor. Estendeu a mão. Dei-lhe uma moeda e disse-lhe que tinha um fato para dar. Se estivesse interessado trazê-lo-ia no dia seguinte. Agradeceu a moeda e disse que o aceitava "até lhe fazia jeito".

Conforme tinha prometido, leve-lhe um fato "pied de poule" cinzento, que ele agradeceu bastante, sem se mostrar subserviente. Era um homem ainda novo -na casa dos quarenta-, magro, (mas não tanto como eu), macilento, com aspecto de quem tinha passado por muitas dificuldades e miséria. Fez-me pena ver um homem tão novo, obrigado a dormir na rua, sem casa, sem trabalho e, possivelmente, sem família!

Decorridos alguns dias, passei pela Estação e lá estava ele, sentado, com a roupa que costumava usar. Abeirei-me e perguntei-lhe:                                      
 Então o fato lhe ficava bem?
       Até parece que foi feito para mim! Exclamou.
     E porque não o usa? Indague: Ficou um pouco hesitante na resposta, desabafando por fim:
     O senhor compreende, se vestisse aquele fato, perderia o ar de pedinte, ninguém me daria esmola e então pensei que seria melhor vendê-lo, sempre me davam algum dinheiro para umas sopas.

 No íntimo dei-lhe razão e perguntei-lhe:
Quer dizer que você tenciona viver de esmolas, toda a vida? Não tem família?

     Tenho, ou melhor tinha, respondeu. Sou casado e tenho uma filha, disse com o ar contristado como jamais vi, e acrescentou:
 Tinha um relacionamento estável com a minha mulher e uma filha adorável, de cinco anos, quando fiquei desempregado, devido à falência da firma onde trabalhava. E depois, sabe como é, as dificuldades, a falta de dinheiro, os dias passados à procura de trabalho. Quando arranjava ocupação, era a prazo de dois meses e rua! Em casa, zangas por tudo e por nada A entrada da miúda na escola, agravou a situação. Havia que fazer mais despesas. A minha mulher, cozinheira num restaurante, trabalhava muito e chegava a casa cansada e sem paciência. A depressão por que me via passar, sem que eu reagisse minimamente, ainda mais a exasperava. Entrávamos frequentemente em conflitos, a ponto de ela me ameaçar com o abandono do lar!
   
     Um dia, cheguei a casa e não as encontrei! Nem mulher, nem filha, estava só! Nessa ocasião tive ganas de me suicidar! Acabei por me conformar. Sem dinheiro para pagar a renda da casa, fui vendendo tudo o que podia, e finalmente fui forçado a sair.  No primeiro dia passei a noite numa casa de "passe". Desde então, durmo aqui!

Interrompi-o com uma pergunta provocadora: As esmolas que consegue obter dão para viver? E ainda: Onde come? Onde cuida da sua higiene? Porque não procura trabalho? Tenciona deixar-se morrer aqui, por inacção?

  O pobre do homem, rosto tisnado pelo Sol e intempéries, com cabelos compridos e a barba por fazer havia muito tempo, olhou para mim com ar acabrunhado, misto de culpa e desalento, encolheu os ombros com desdém, por quem estava longe de entender a tragédia da sua vida!

    Finalmente, respondeu: as esmolas dão apenas para uma sopa ao almoço e nem sempre; para tomar banho uma vez por semana, no balneário do Castelo; os Amigos da Noite fornecem-me, diariamente, sopa, pão e leite. Já não fumo, nem bebo, vegeto!

   Em face da situação que me foi apresentada, decidi convencer este pobre a reagir, porque achei que tinha condições, físicas e mentais, para ser recuperado.

     Então diga-me, não tem saudades de ver a sua filha? De certo que tem! Porque não a procura?

     Já a procurei em casa da minha sogra, mas esta disse que ela e a mãe tinham ido viver com outro homem, mas que desconhecia a morada. Respondeu.

      Mas, atalhei, pode dirigir-se ao restaurante onde a sua mulher trabalha e perguntar-lhe, ou segui-la! No entanto, sempre lhe digo que, apresentar-se à filha, mal vestido, com essa indumentária, cabelo crescido, barba por fazer e cara de fome, decerto não vai ser bem recebido. Portanto você tem de começar pelo princípio: arranje trabalho e outro modo de vida. Pedir esmola não é solução!

      E ainda, Você disse-me que se vestisse o fato que lhe ofereci, ninguém lhe daria esmola; e eu digo-lhe, com a roupa que você está usando, ninguém lhe dará trabalho! Portanto, vamos combinar: Você vai destinar um dia para fazer a sua higiene, cortar o cabelo, fazer a barba e vestir outro fato que lhe vou oferecer e assim, devidamente aprumado, vai percorrer a cidade de lés a lés, junto de quantas obras encontrar, até arranjar trabalho. Se tal acontecer, prometo dar-lhe algum dinheiro, até que lhe paguem o primeiro salário! Depois, é só procurar a sua filha. Valeu?

    Tudo foi feito, como tinha sido combinado e o homem, lá foi pensando na filha, à procura de trabalho!

 

NOTA DE O ESTAFETA

 

Quantas pessoas, bem posicionadas na vida, não poderiam ajudar na reabilitação, um pedinte, um sem-abrigo ou uma mulher que vende o seu corpo como única forma de sobrevivência?... E em prol de uma sociedade de que nos possamos orgulhar?
Contactem a APPDH, ajudando a realizar o projecto que temos para estas causas.

publicado por promover e dignificar às 12:58

link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. A HEPATITE “A” E OS MAUS ...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. APPDH – Para que servimos...

. TÓPICOS A OBSERVAR NA ORI...

. O DIFÍCIL E COMPLICADO PR...

. Inserção Humana – PROJECT...

. COMUNICADO AOS ASSOCIADOS

.arquivos

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Janeiro 2011

. Abril 2010

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Setembro 2008

. Junho 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds