Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Pagina 3

EDITORIAL

JUSTIÇA  PROMOCIONAL DO HOMEM - PRECISA-SE

 se não for acompanhado da justiça do dever, da mesma forma que a razão não tem razão de se impor, se não permitir a sua contestação.

É nesta ordem de pensamento o que se espera da justiça: que os direitos se afirmem e a razão seja menos contestada.

Os pilares da evolução e da civilização do homem têm sido construídos por duas forças completamente opostas: a construtiva e a destrutiva. Só na medida em que a construtiva conseguir ser mais forte que a destrutiva, poderá trabalhar eficazmente na construção desses pilares. E quando as forças construtivas assumirem em pleno o seu reino, o nosso grau de civilização será apoteótico.
Os criminosos constituem tremendo problema para os que praticam o bem e a legalidade, ao terem de combater os males e os defeitos. Têm de suportar os encargos das prisões, corpos de polícia e de todos os que trabalham na justiça. Neste nosso tempo debatemo-nos com tremendas complexidades e, para atingirmos a solidificação dos direitos e para que a justiça seja ela mesma, temos de reformar estruturas e vícios, cuja tarefa será bem árdua. Enquanto nos basearmos apenas na experiência do passado e não privilegiarmos o futuro, continuaremos envolvidos no inevitável atraso e com a justiça envolvida em pérfidas injustiças. Perante os aspectos dúbios decorrentes dos sistemas judiciais que não visam minimamente a promoção e a dignificação do homem, a justiça só poderia ser eficaz se fosse praticada por seres superiores ao próprio homem. Mas não temos alternativa, vamos ter de ser nós mesmos a transportar este fardo mal embalado, Ainda que não tenhamos dúvidas de sermos inteligentes e de sermos capazes de corrigir o mal, porque se quisermos podemos, ainda que na imperfeição, fazer tudo bem ou quase...
 
Inoperante para se disciplinar devidamente, o homem, dependendo do próprio homem, aceita a sentença dos magistrados e reconhece nas decisões dos tribinais  o sentido da justiça, mesmo que esta mande assassinar pessoas e cometa crimes vários em face das leis. Isto contrasta com os focos de inoperância em resultado dos critérios e conceitos legislativos, em que se baralham o rigor com a ineficácia, facto que apresentaria imagem mais positiva se a preocupação perante os deveres se superiorizasse à reivindicação de direitos.

     Os factores negativos da justiça estão interligados no conceito de normalidade dentro do nosso estatuto social. O círculo vicioso acentua-se com a virtual necessidade de ter de haver criminosos na base da sobrevivência de magistrados e advogados. De tal forma que se os crimes acabassem surgiriam de imediato grandes preocupações pela falta do trabalho jurídico.

     Não me estou a baser de algum modo no que se passa apenas em Portugal, mas sim a nível mundial, havendo países, uns mais evoluídos outros menos, onde a justiça é mais injusta em relação ao nosso país. Porque o homem erra, também na elaboração das leis, não preservando minimamente a Promoção e Dignificação do Homem. Existem dois tipos de lei na gestão da justiça, e ainda bem: as leis do estado e as defendidas pela mediática acção das televisões e de toda a comunicação social, com imagens de contrapoder. Este contrapoder é benéfico, se conseguir desarraigar os atentados à Promoção e Dignificação do Homem.
     Vemos as prisões cheias com indivíduos que, se já eram nefastos à sociedade, passaram a constituir forte encargo para a própria sociedade. Não obstante, continua-se a privilegiar a repressão em detrimento da formção e das formas de educar. Na actualidade a justiça tem de, inquestionavelmente, punir os crimes, muitos deles com uma desmesurada carga impiedosa e horrenda, mas a prevenção nunca deve ser descurada. A investigação às situações suspeitas, sejam referentes ao tráfico de drogas, crimes económicos, pedófilos  ou de outras ordens, deve ser célere. Quando a investigação é morosa está a permitir aos criminosos o avolumar das acções criminosas, e também surpreende negativamente quando determinado cidadão andou dois anos a ser investigado secretamente, quando no fim lhe é dito que não existe nada em seu desabono.

      Com as acções de prevenção atentas e com o trabalho de sensibilização na formação moral e cívica, a ocorrência de crimes e os processos em tribunal podem diminuir significativamente e as prisões serão gradualmente esvaziadas. Aos presos deve proporcionar-lhes trabalho ao ar livre, em benefício deles e da sociedade. Aos mais perigosos devem ser proporcionadas tarefas dentro das prisões, mediante a implementação de escolas, oficinas, cursos profissionais e mostrar-lhes que pertencem à superior espécie e as vantagens de praticarem o bem em detrimento do mal. Um criminoso que passa vários anos enjaulado pode sair do castigo já cumprido com um curso superior, com a profissão de mecânico, de carpinteiro, de hotelaria, de contabilidade, entre outras. E não serem despejados sem perspectiva de emprego e de reinserção. Por outro lado, A justiça e o Estado devem acompanhá-los, já em liberdade, com meios que lhes garantam a sobrevivência durante a fase de reinserção. Poderá dizer-se que o dinheiro não chega para tudo, mas os custos aumentam com a captura do presidiário quando  vém para a rua e comete novos crimes, como meio único de sobrevivência. Por outro lado, a diminuição do trabalho juríco e de presos liberta meios que se traduzem em valores económicos.

    Entre os motivos criminais, existem os que são praticados como único meio de sobrevivência, quando se vive na marginalização. Os informadores pagos, ao colaborarem com a justiça, mostram -nos que podem deixar de ser criminosos se lhes forem proporcionados meios de sobrevivência. O Estado deve proporcionar emprego e actividade digna a todos os presos que forem libertados.
     A justiça é também irracional para com o cidadão a quem foram penhorados todos os bens, despejado da própria habitação e com as contas bancárias bloqueadas. De que vai viver? Imagine-se o desespero...

     A pensar na Promoção e Dignificação do Homem, os profissionais das polícias e dos tribunais devem abraçar outras funções em causas nobres, em vez de se limitarem a prender e a condenar. E fazerem tudo para induzirem os contendores ao entendimente e, porque não, substituirem a inemizade pela amizade?...

     Entre os deveres do indivíduo, sobressai a reponsabilidade moral e cívica. Mas nem os chefes da justiça podem estar seguros da sua integridade para com as funções morais e cívicas, principalmente quando assumem nítido desprezo para com a noção de responsabilidade perante a vida activa da sociedade.
 
Uma palavra para a juventude. É-lhe concedido algum direito pelas ideias que revela sobre o futuro, mas mantém-se marginalizada e sem a capacidade de materializar o seu pensamento criador, como se fosse o passado e os mais velhos os donos do futuro. O humanismo caduco choca muitas vezes com o tecnicismo demente pela utopia, enquanto os instrumentos jurídicos permanecem corruídos  e enferrujados, sem qualquer abertura ao desejado aperfeiçoamento  das estruturas.
 
É a todos, aos que já deixaram a juventude e aos donos do futuro - exactamente aos mais jovens - que compete colocarem a justiça no patamar da elevação do homem e aderirem à filosofia da APPDH: A Promoção e Dignificação do Homem.

      O Director

    

 

Viver a Diferença

Ana Cabrita - Psicóloga Clínica

 

Todos diferentes....Todos iguais....

Até que ponto a nossa orientação sexual influencia a visão e a aceitação por parte dos outros?
O termo homossexual foi criado em 1869 pelo escritor e jornalista austro-húngaro Karl-Maria Kertbeny. Deriva do gr. homos, que significa "semelhante", "igual".
Até ao séc.XX a homossexualidade era vista como um desvio sexual e uma doença mental. A partir de 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria e, na mesma época, foi retirada do Código Internacional de Doenças (sigla CID). A Assembleia-geral da Organização Mundial de Saúde (sigla OMS), no dia 17 de Maio de 1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, declarando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão" e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade. No entanto, ainda hoje tal é discutido e questionado por variadissimas pessoas e mesmo profissionais.
Existem estudos que apontam os factores genéticos como determinantes para a homossexualidade, englobam-se nestes estudos gémeos univitelinos (com DNA idênticos) mostrando que há em 50% dos casos correspondência na sua sexualidade. Por meio da psicanálise surge a teoria que a influência do meio e da figura dominadora do genitor do sexo oposto refletem a expressão da homossexualidade. Mas a maior parte dos investigadores unem-se na afirmação que o comportamento homossexual é uma característica que se manifesta na espécie humana e que a sua origem é algo complexo não se podendo limitar a uma simples explicação. A nível psicológico o que é verdade para alguns não o é para outros!
Até no meio animal existem comportamentos homossexuais, apesar de não existir estudos cientificos conclusivos sobre a causa ou origem das diferentes práticas sexuais nos animais. A verdade é que o ser humano tem sentimentos e razão, não reduzindo a sua vida sexual apenas à procriação. Acaba por ser limitativo afirmar que a sua vida sexual se resume a uma escolha! A escolha implica opção e será que os sentimentos são sujeitos a opções? Será que o reprimir dos nossos sentimentos e gostos nos trás felicidade e realização? Afinal o que é correcto e aceite por uns nunca o é para outros!

Há quem fale da natureza humana e do que é anti-natura, mas será que quando o que é natural provoca sofrimento humano deverá ser aceite e estimulado? Muita coisa foi alterada na sociedade em prol de maior qualidade de vida/felicidade pensando no bem estar do ser humano alterando por vezes a própria natureza.
Até que ponto será correcto julgarmos o ser humano pela sua forma de vida quando esta não prejudica em nada o nosso universo pessoal? Não podemos negar a realidade homossexual e também não é pedido a ninguém que o seja, apenas é uma obrigação do Homem (que vive em sociedade) respeitar e não descriminar!
Há o mito que a homossexualidade engloba promiscuidade, no entanto a maior parte de comportamentos promiscuos são praticados por heterossexuais e esses são na maior parte das vezes abafados ou escondidos! Qualquer acto promiscuo e que provoque dor ( física ou  psicológica) num outro Ser deve ser condenado independentemente de quem o pratica. Não vamos fazer estigmas e atirar pedras a todos aqueles com os quais não nos identificamos! Viver em sociedade não é fácil exactamente devido a todas as nossas diferenças o que nos provoca inquietação. O Homem encontrou na Razão as "asas" que o podem levar à liberdade, contudo mesmo que a Razão e a Liberdade sejam os factores que constituem a busca humana pela vida, não passam de instrumentos na tentativa de uma compreensão ampla da vida e de si mesmo. O Homem não cessa de se interrogar sobre o sentido do mundo de acordo com os valores que constrói, mas na maior parte das vezes esses valores não são partilhados o que leva a divergências e a pequenas guerrilhas que são necessarias ultrapassar para se evoluir! Há também que aprender a respeitar a diferença e não apenas respeitar o que tomamos como o certo.

Afinal em vez de falarmos em homossexualidade podemos falar de amor entre o mesmo sexo e "Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos."-- Bertrand Russell
Vamos respeitar o amor do próximo seja ele como for, não vamos julgar sentimentos, quanto mais atacarmos, mais os vamos fazer sofrer e revoltarem-se, acabando todos por perder a razão. Apenas uma coisa é importante – o respeito – entre todos. Isso sim deve ser exigido e respeitado seja qual for a orientação sexual, cor de pele ou religião!
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

                                                               Carlos Drummond de Andrade

 

publicado por promover e dignificar às 13:36

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