Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Pagina 10

MARIA CALLAS
a vida de uma Diva

 

Maria Callas foi a mais controversa e possivelmente a mais dedicada intérprete lírica do nosso tempo.
Com uma voz de considerável alcance, Callas encantou os teatros mundiais de maior destaque. Para Maria Callas a expressão vocal era primordial, em detrimento dos exageros vocais injustificados - tudo na Ópera tem que fazer sentido por forma a dar ao público algo que o mova, algo credível.
Esta foi a mais destacada e famosa cantora lírica, e fez jus à sua fama, pois interpretou várias dezenas de Óperas de diversíssimos estilos. Callas perpetuou-se em papéis como Medea, Norma, Tosca, Violetta, Lucia, Gioconda, Amina, entre outras, continuando, nestes papéis, a não existir nenhuma artista que lhe faça sombra.
Um dos aspectos que certamente contribuiu para a lenda que se formou em torno de Maria Callas diz respeito a sua conturbada vida pessoal. Dona de um temperamento forte, que parecia o correlato perfeito para a intensa carga dramática com que costumava abordar suas personagens no palco, tornou-se famosa por indispor-se com maestros e colegas em nome de suas crenças estéticas.
Em 1958, após, doente, ter abandonado uma récita de Norma na Ópera de Roma, foi fortemente atacada pela imprensa italiana, que julgou que a soprano queria ofender o presidente italiano, presente na platéia.
O escândalo comprometeu sua carreira na Itália e, no mesmo ano, ela entrou em disputa com Antonio Ghiringhelli, dirigente do La Scala, que não mais a queria no teatro. Somente voltou a apresentar-se no La Scala em 1960, na ópera Poliuto de Donizetti; ainda em 1958, foi sumariamente demitida do Metropolitan por Rudolf Bing, que desejava que ela alternasse apresentações de La Traviata e Macbeth, óperas de Verdi com exigências vocais muito distintas para a soprano. À exigência de Bing, Callas celebremente respondeu que sua voz não era um elevador.
Em 1959, rompeu um casamento de dez anos com seu empresário, G. B. Meneghini, muito mais velho do que ela. Manteve, em seguida, uma tórrida relação com o milionário grego Aristóteles Onassis, com quem não foi feliz e que rendeu muita matéria para a imprensa sensacionalista.
Trabalhava intensamente, e em mais de uma ocasião subiu aos palcos contra as recomendações dos seus médicos. Com uma forte gripe, escapou em 2 de janeiro de 1958 da Ópera de Roma pela porta dos fundos após um primeiro acto sofrível de Norma, de Bellini, em uma récita prestigiada pelo então presidente da Itália, Giovanni Gronchi, o que gerou o escândalo acima referido. Em 29 de maio de 1965, ao concluir a primeira cena do segundo acto de Norma, Callas desfaleceu e a apresentação foi interrompida. Depois disso, ela só cantaria em ópera mais uma vez, numa última apresentação de Tosca no Covent Garden de Londres, ao lado de Tito Gobbi.
Poucos sopranos podem rivalizar com Callas no que diz respeito à capacidade de despertar reacções intensas entre seus admiradores e críticos. Elevada à categoria de "mito" e conhecida mesmo fora do círculo de amantes de ópera, ela criou em torno de si uma legião de entusiastas capazes de defender a todo custo os méritos da cantora. Apesar da mútua amizade, as disputas entre seus fãs e os de Renata Tebaldi tornaram-se célebres.
 Características únicas
Callas possuía uma voz poderosa que, embora não se destacasse pela beleza do timbre, possuía amplitude fora do comum. Isto permitia à cantora abordar papéis desde o alcance do mezzo-soprano até o do soprano coloratura. Com domínio perfeito das técnicas do canto lírico, possuía um repertório incrivelmente versátil, que incluía obras do bel canto (Lucia de Lammermoor, Anna Bolena, Norma), de Verdi (Un ballo in maschera, Macbeth, (La Traviata) e do verismo italiano (Tosca), e até mesmo Wagner (Tristan und Isolde, Die Walküre).
Apesar destas características, Callas entrou para a história da ópera por suas inigualáveis habilidades cénicas. Levando à perfeição a habilidade de alterar a "cor" da voz com o objetivo de expressar emoções, e explorando cada oportunidade de representar no palco as minúcias psicológicas de suas personagens, Callas mostrou que era possível imprimir dramaticidade mesmo em papéis que exigiam grande virtuosismo vocal por parte do intérprete - o que usualmente significava, entre as grandes divas da época, privilegiar o canto em detrimento da cena.
Muitos consideram que seu estilo de interpretação imprimiu uma revolução sem precendentes na ópera. Segundo este ponto de vista, Callas seria tributária da importância que assumiram contemporaneamente os aspectos cénicos das montagens. Em particular, é claramente perceptível desde a segunda metade do século XX uma tendência entre os cantores em favor da valorização da sua formação dramatúrgica e da sua figura cénica - que se traduz, por exemplo, na constante preocupação em manter a forma física. Em última análise, esta tendência foi responsável pelo surgimento de toda uma geração de sopranos que, graças às suas habilidades de palco, poderiam ser considerados legítimos herdeiros de Callas, tais como Joan Sutherland ou Renata Scotto.

 

 

Música Portuguesa
a adesão que falta

 

Por António Jorge Lé*

Há temas musicais magníficos.
Brilhantes interpretações.
Composições bem desenhadas melodicamente e insistimos na música estrangeira.
As rádios insistem em emitir canções importadas e só raramente se dá destaque a quem lança um CD.
Os interesses e a eterna mania de consumir o que vem de fora ajudam à festa, e as composições que são escritas e cantadas em português não são divulgadas nem se cria apelo ao consumo, para que os criadores e artistas possam produzir mais trabalhos, originais e adaptados ao gosto que naturalmente vai evoluindo.
Esta atitude, aliada à pirataria que escapa ao esquema montado que preserva os direitos de autor, é danosa para os profissionais do circuito discográfico.
Há inúmeras composições bem escritas, excelentes poemas postos em música, compositores que possuem uma invejável capacidade de criar, que são inequivocamente talentosos, que produzem êxitos que ficarão para sempre, e não lhes damos o justo valor.
Vamos contribuir para que esta postura se altere?
Fica o desafio para que em Portugal se consuma mais arte portuguesa. Faz sentido!

* Jornalista

 

Ficha Técnica

O Estafeta - registo no E.R.C com o número 125321
Periocidade: Mensal
Director: Valdemiro E. Sousa
Proprietário e editor: APPH - Associação Portuguesa para a Promoção e Dignificação do Homem.
Sede e Redacção: Rua Arco do Marquês do Alegrete, Palácio dos Aboim, nº2 - 5.1 1100-034 Lisboa
e-mail:
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Telefone: 213428300
NIF: 508263840
Conta bancária do BPI: nº 0-3899481.000.001
NIB: 0010 0000 3899481000 50
Colaboradores desta edição: João Carlos Fonseca, Anabela Pedreira,  Ana Cabrita,  António Jorge Lé, José Proença, Roberto Frazão, Victor Sampaio, Ricardo Molino, Inês Pais de Abreu e  Mafalda Amorim
Tiragem desta edição: 5400 exemp.
Impressão: Grafedisport - Rua Consiglieri Pedroso, Casal de Santa Leopoldina, Queluz de Baixo - Barcarena
Distribuição: Logista, expanção da área ind. do Passil Lote 1 - A - Tel.219267800 Palhavã - Alcochete

 

publicado por promover e dignificar às 11:12

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