Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Pagina 9

  
      COM A CULPA DOS ADULTOS

Morrem 30.000 crianças por dia
 

      
      Um relatório da UNICEF dá-nos conta de que morrem cerca de 30.000 crianças por dia, com menos de 6 anos de idade. Estes números impressionantes apontam causas evitáveis: malária, pneumonias, diarreias, as guerras e outros actos de violência. A falta de assistência médica e a má nutrição estão subjacentes.
      Não importa significativamente saber-se onde mais acontecem estas desgraças, a não ser para o desenvolvimento de acções que lhes coloquem cobro. Interessa sim que os adultos, em especial os líderes das governações, concentrem os seus esforços no combate a estes males, evitáveis, e colorem à frente das lutas e da demagogia o salvamento de seres que acabaram de nascer para a vida. Enquanto tudo continuar como está, os adultos serão eternos réus e culpados.

 

FINALMENTE  O TRABALHO COMUNITÁRIO

 

     Está a acontecer o que temos vindo a defender: mais de 2000 condenados por crimes mais leves estão a cumprir a sua pena em trabalho comunitário, colocando-se estes cidadãos  fora da clausura, com trabalho útil à sociedade.
     Não será por esta forma de cumprir penas que os condenados deixam de se redimir. Pelo contrário, ao serem tratados com dignidade, a lição será por eles registada e alguns não deixarão de fazer pedagogia comportamental e evitarão ser reincidentes. O facto de cumprirem penas ao ar livre leválos-há à assimilação da condição cívica e promocional, dentro da dignidade que importa conceder a cada ser humano.
     Esperamos passar a ver polícias e juízes a trabalharem para a prevenção dos crimes, fazendo pedagogia, educando e reabilitando. Tanto mais que o poder judicial necessita de se livrar das grandes resmas de processos a que, dentro de paredes, também estão presos.

    

O BAIRRO DO CHAMIÇO

 

Ali para o lado Oriental da Cidade existiu, em tempos, um bairro típico, que foi chamado do Chamiço! Ainda ninguém sabe por que motivos lhe deram tal designação. Curioso, consultei uma enciclopédia, donde retirei o seguinte: Chamiço, acendalhas, gravetos, lenha miúda, ramos secos, tição. Continuei pouco esclarecido! Não me pareceu haver qualquer relação entre aquelas acendalhas e o nome do Bairro.
No entanto, lembrei-me de que, antigamente, houve uma canção brasileira, em cujo refrão constava o seguinte verso: "e tudo isto por um chamiço". Podia concluir-se daqui que, um chamiço seria uma pequena moeda, de pouco valor, mas que chegava para comprar "tudo isto", logo muita coisa!
O bairro começou por ser construído, clandestinamente, por uma sociedade de construtores, aos quais chamavam "Patos Bravos", originários da região de Tomar e que foi crescendo, rodeado de barracas de madeira e outros materiais. Lá se alojavam pessoas vindas da província, de fracos ou nenhuns rendimentos, que na cidade trabalhavam em misteres humildes e pouco rentáveis.
Eram poucas as casas que possuíam os mínimos requisitos de sanidade: algumas só dispunham electricidade, outras não tinham água e nenhuma estava dotada de telefone nem de gaz. As que possuíam água, adquiriram um tanque de cimento, que ficava na rua junto à porta de entrada. Quem não tinha água, recorria ao lavadouro e balneário públicos.
A população, heterogénea, era constituída por pessoas honestas, pessoas de vida duvidosa, velhos e jovens sem ocupação, que vagueavam pelas ruas, arredados há muito das escolas!
A mais antiga habitante do bairro era a Micas. Hoje, velha e gorda, era conhecida de todos e ganhou fama desde que esfaqueou um homem, que pretendia atentar contra a sua honra. Isto, a despeito da Micas ter um filho e uma filha, e de não estar certa de quem eram os pais! 
 Os progenitores da Micas, oriundos da região de Aveiro, vieram para Lisboa, na tentativa de melhorar a sua vida: o pai, vareiro na Ria, passou a trabalhar como fragateiro, no Rio Tejo; a mãe dedicava-se à venda ambulante de produtos sazonais.
A Micas, depois de frequentar dois anos da primária e já espigada, começou a trabalhar como varina, para um sócio dos patrões do pai, negociante de peixe. Era, na altura, de boa compleição física, forte sem ser gorda, espadaúda e porte altivo!
Todas as manhãs pelas oito horas, ela e outras colegas apresentavam-se na Ribeira, ao Cais do Sodré, a fim de transportar à cabeça, na canastra, peixe para um depósito de revenda, onde era dividido por espécies e distribuído pelas varinas, que procediam à sua venda ambulante.
A Micas tornara-se a favorita do patrão, razão por que era a escolhida para levar a Guia da mercadoria. Este procedimento constituía motivo para especulações maliciosas e era objecto de gáudio de jovens atrevidos que, quando elas passavam, em fila, era vulgar gritarem-lhes: qual é de vocês que leva a Guia? Elas não gostavam nada, daquela brincadeira e, por vezes, voavam tamancos!
A filha da Micas, a Fernanda, fisicamente parecida com a mãe, rapariga azougada, um tanto arrapazada, entrou de amores com o Chico da Gorda, um rapaz um pouco mais velho, considerado lá no Bairro como um bom partido, por trabalhar na estiva. Naquele tempo os estivadores eram muito bem pagos. Quando os estivadores faziam greve, os Governos tremiam, pelas consequências que daí podiam advir para a economia nacional!
O Chico apresentava-se, diariamente, na Casa do Conto onde se fazia a selecção dos trabalhadores e era sempre escolhido por ser competente e robusto, condições fundamentais naquela profissão. O casal vivia bem!
Contudo, a adversidade acontece quando menos se espera e há dias aziagos! Aquele dia 13 foi fatídico! Do guindaste do cargueiro que descarregava vigas de aço, desprendeu-se uma, que apanhou o Chico pelas costas, deixando-o, imediatamente, imobilizado. Levado de hospital para hospital, com vista à sua recuperação, tudo foi tentado, mas em vão!
O diagnóstico final foi de incapacidade total e permanente. A Companhia de Seguros passados vários meses, atribuíu-lhe uma pensão vitalícia, que mal dava para comer!  
Para superar as dificuldades causada pela invalidez do marido, a necessitar de redobrados cuidados médicos e medicamentosos, a Fernanda tentou tudo para ganhar o suficiente, e fazer frente à situação. Não conseguiu. Foi difícil mas, não teve outro remédio…fez-se à rua!
A outra figura típica do Bairro, era o Manel das Pilecas. O Manel possuía uma barraca que lhe servia de habitação, cavalariça para dois velhos e famélicos cavalos e de arrecadação de uma galera. Dedicava-se ao transporte de mercadorias, geralmente de produtos hortícolas, que desciam o Tejo em fragatas e eram, depois, levados por carroças ou galeras, até aos armazéns de distribuição.
Os sinais dos tempos, também iam chegando ao Bairro do Chamiço e a evolução era assimilada pelos seus moradores. Assim, o filho do Manel não seguiu a profissão do pai. Tornou-se motorista de pesados, isto é, actualizou-se!
O Chamiço tinha uma vida comercial própria: uma Venda, onde se podia comprar de tudo, desde os produtos de mercearia, drogaria, até toda a espécie de quinquilharias que, mais tarde, se transformou num Mini mercado. Também existia uma taberna, com uma carvoaria anexa que o seu dinâmico proprietário, um galego da Galiza, (havia também "galegos"portugueses que de "pau e corda" se encarregavam de pequenos biscates), acabou por transformar num Bar, onde aos sábados, se cantava o Fado. Era fadista residente, a Rosalina acompanhada pelo guitarrista e o viola, ambos "ceguinhos" de nascença, que fazia as delícias dos clientes, os quais, por vezes, também exibiam os seus talentos.  
Assim, como havia bêbados com mau vinho, também havia fadistas com mau fado! O fadário da Rosalina e seus companheiros, era percorrerem as ruas, cantando as cantigas que os teatros de Revista popularizavam. Com a venda das "letras" das canções e as moedas que os moradores e transeuntes lhes ofereciam, lá iam ganhando para o seu sustento.
Até o Miguel das patranhas, que não se ajeitava com o trabalho, deixou de praticar pequenos furtos, sempre pouco rendosos, para enveredar por actividades mais proveitosas e virou vigarista de sucesso, segundo constava por lá!..Era, por vezes, procurado pela polícia mas, coisa estranha, ninguém o conhecia, ninguém o denunciava!
Os habitantes do Chamiço eram pessoas de princípios. A solidariedade estava acima de tudo. Neste, como noutros casos! Veja-se o caso da Zita cigana que, ficou viúva por via de uma rixa, que lhe levou o marido. Então, não é que a população cuidava do filho, de dois anos de idade, enquanto ela percorria a cidade, lendo a sina para poder sobreviver!
Naquele Bairro, parecia que cada família era paradigma; era um núcleo populacional "sui géneris", dificilmente igualado! Mas, um dia chegou a modernidade e a "civilização". O Bairro estava condenado à demolição, para dar lugar a um complexo habitacional fechado, muito na moda, ultimamente.
Após uma batalha jurídica e inglória, como sempre acontece em situações idênticas, os habitantes foram dispersos por outros Bairros Sociais, com melhores condições de habitabilidade, com rendas mais elevadas, que nem todos podiam suportar, mas com a vantagem de se tornarem seus proprietários ao fim de vinte anos, em caso de morte ou de invalidez do chefe de família.
  Contudo, essa situação não foi a mais penalizante para os moradores: o pior foi que, a partir da desagregação deste núcleo, que praticava princípios de respeito mútuo desta tão apregoada democracia, perderam grande parte da sua alma, em nome do progresso! Alguns perderam a alegria de viver!

 

DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Por:Inês Abreu

 

A desobediência civil é um método de oposição e resistência pacífica a um poder político, seja o Estado ou não. Consiste na real tomada de posições, ainda que estas vão de encontro ao estabelecido socialmente, desde que com base em medidas pacificas.
É um conceito formulado originalmente por Henry David Thoreau e aplicado com sucesso por Mahatma Gandhi. Este pôs em causa o monopólio politico e económico do Reino Unido na Índia, incitando ao boicote da comercialização de produtos e ao desrespeito de leis impostas pelos britânicos. Tal método teve resultados reais, dando origem ao processo de independência da Índia.
Na prática e aplicando-o à nossa realidade social, resume-se ao simples facto de ao não concordarmos com o aumento de preço de determinado produto deixarmos de o comprar. Apesar de poder parecer utópico a verdade é que há vários exemplos, tal como o de Gandhi, de que realmente resulta.
Tal terá como fim, não uma revolução nem a tomada de opções radicais, que não é do nosso interesse incitar, mas tão simplesmente a menor vantagem comercial de quem vende possibilitando a diminuição dos preços.
É visível nos últimos tempos como tem vindo a piorar o nível de vida económico e social da população portuguesa. Os preços dos bens e serviços sobem e os salários não acompanham estes aumentos. Surge o descrédito na melhoria da situação económica nacional, a falta de meios e o desespero de muitos…
É uma realidade que nos toca a todos e que tende, segundo parece, pelo menos a manter-se.
Temos ao lado do nosso país um exemplo de como se consegue em poucos anos alcançar a estabilidade económica e garantir boas condições de vida para os seus habitantes. Espanha atravessou um período social e económico complicado, tendo vivido numa ditadura até 1975. Apesar disso as medidas políticas que tomou entretanto garantiram-lhe a actual permanência entre os países mais desenvolvidos do mundo. E como este, muitos casos de países que, ao contrário do nosso tendem, apesar da difícil conjuntura económica internacional, cada vez mais a alcançar bons resultados de crescimento económico.
Resta a duvida se o nosso Estado se demitiu das suas tarefas fundamentais, consagradas estas no art. 9º da Constituição, da quais importa referir expressamente a seguinte:
"Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais."
Está na ordem do dia o aumento do preço dos combustíveis, reflectindo-se este no aumento do preço de todos os outros bens. E mesmo tendo em conta este facto o Governo insiste em manter a alta tributação aplicável aos combustíveis.
Sem dúvida que a única forma de inverter realmente a situação é através da tomada de medidas politicas, mas para o comum dos cidadãos há outras formas de protesto que não só o exercício do direito de voto.  Talvez havendo uma diminuição da rentabilidade, através da procura de soluções alternativas, haja vantagens para o consumidor resultantes na mais justa prática dos preços de mercado.
O uso da desobediência civil, sendo esta sempre uma forma de tomada de posição pacifica, é extensível a todas as áreas, sejam elas a promoção da justiça, de melhores condições sociais, económicas. Só se todos colaborarmos, promovendo uma mudança de mentalidade e uma vida social mais participativa, é possível acreditar e alcançar uma mudança na prática.

 

publicado por promover e dignificar às 11:15

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