Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Pagina 14

 

COELHOS OU GAFANHOTOS?

O mestre Felício – era mestre gelateiro – dirigiu-se a um restaurante para almoçar, acenou para o empregado de mesa,perguntando:

- Têm gafanhotos?

O empregado, com um sorriso de quem não acha graça, respondeu:

- Você não tem graça, mas faz-se engraçadinho. O prato do dia é coelho à caçador...

- Coelho não, nem por sombras, nem por sol...

- Então arranjo-lhe um bitoque. E se quer comer gafanhotos,

tem boa solução: vá à mata e cáce-os- respondeu o empregado.

O mestre gelateiro, interessado, perguntou;

- E como se caçam os gafanhotos?

O empregado já estava irritado e descarregou:

- Leve uma espingarda...

O mestre Felício levou a recomendação a sério. Comeu o

bitoque, foi buscar a espingarda e dirigiu-se para a mata. Aí

encontrou 2 guardas florestais, que o inquiriram:

- Você não sabe que está interdita a caça ao coelho?

- Eu não como coelho desde que soube que é pecado –

respondeu o Felício.

O guarda florestal, cortando um ramo de giesta, deu uma vassourada a um gafanhoto e matou-o, dizendo:

- Já viu como se apanham gafanhotos?

- Muito obrigado – disse o gelateiro. Venham comigo, queromostrar-lhe uma coisa importante...

O guarda virou-se para o colega, dizendo: irá ele mostrar-nos algum guisado de gafanhotos?

Chegados à casa do Felício gelateiro, este abriu a Bíblia Sagrada e mostrou a página onde dizia que o coelho e o porco eram imundos, não se devendo comer; mas os gafanhotos, esses sim, podiam-se comer. E o guarda exclamou:

- Tenho andado a pecar toda a minha vida!... Nunca mais como

coelho; mas também nunca vou engolir gafanhotos...

O mestre gelateiro, agradecido, fez uma oferta:

- Querem comer um gelado?

- E os chocolates não têm gafanhotos? – perguntou um dos

guardas.

- Não têm mas vão passar a ter – concluiu o mestre Felício. Intrigado, diz um dos guardas para o colega:

- Quando fores comprar um gelado, certifica-te de que não tem

gafanhotos. A partir daí, quando passavam pelas gelatarias, advertiam os

clientes:

- Tenham cuidado, porque há por aí gelados com gafanhotos –ao mesmo tempo que deixavam os clientes enjoados. Entertanto, o mestre gelateiro passou a percorrer os restaurantes e, à entrada da porta, gritava:

- Tenho aqui um saco de gafanhotos. Querem ficar com eles

para o prato do dia?...

De imediato, os clientes saíam apressados porta fora. E isto

aconteceu até que um dia, o dono de um restaurante lhe tirou a

vassoura da cintura com que apanhou os gafanhotos, dandolhe

umas valentes vassouradas. E o mestre Felício, entristecido, apenas disse:

- Está tudo perdido, já não se pode cumprir a lei de Deus...

Daí para a frente, os amantes dos gelados, perguntavam sempre:

-Será que os gelados têm gafanhotos? Se têm não quero...

Esta história foi contada pelo senhor Benvindo, que é caçador de coelhos.

ALEGRIAS FRANCESAS

Depois de terem conversado durante muito tempo a respeito da elegância

e bom gosto das suas modistas, as duas gentis coquettes, cujos cabelos

castanhos sobressaíam no claro salão forrado a seda palha, começaram a

conversar sobre as amantes dos seus maridos, enquanto duas chávenas de

chá, sobre uma elegante mesa de charão, espalhavam o seu odorifero

perfume pelo quarto.

A Baronesa – Não me incomoda nada ser enganada pelo meu marido.

Desde que tem uma amante é muito mais amável e atencioso para

comigo. O que os maridos têm de melhor é a ausência. Estou

imensamente satisfeita, porque o meu escolheu para amante uma mulher

encantadora.

A Condessa – Certamente a felicidade dos maridos seria para nós um

grande embaraço! Temos tantas coisas a fazer! As visitas, os jantares, os

bailes, as flirtations, levam-nos um tempo considerável. Eu, como tu,

estou contentissima por ser enganada porque o meu marido fez uma

escolha que muito me lisonjeia.

A Baronesa – Temos muito que fazer, temos um modo de vida diferente

da deles. Há entre nós e aqueles de quem usamos o nome uma espécie de

solidariedade, graças à qual tomamos parte nas suas vitórias e nas suas

derrotas, nas suas alegras e nas suas tristezas; e morríamos de vergonha

por eles e por nós, se se entregassem a indignos amores...

A Condessa – A ternura que lhe dedicámos nos primeiros tempos de

casados, não la retirámos completamente; e a que tem conservado

mistura-se à quantidade de ternura pessoal de que eles podem dispor em

favor de outras pessoas. Seríamos sensivelmente humilhadas se alguma

coisa nossa fosse aviltada com ligações pouco recomendáveis.

A Baronesa – Graças a Deus não tenho nada a temer. A amante do meu

marido é de raça nobre, quase uma princesa, ocupa no nosso mundo um

lugar bastante ilustre, e todos pronunciam com respeito o nome que ele

murmura com amor.

A Condessa – Estou tão orgulhosa como tu, mas por outras razões. A

amante do meu não é princesa, é uma estrela de opereta mas muito

célebre, muito aclamada, muito adorada. Para a verem e ouvirem têm

vindo imperadores do Brasil e príncipes de Inglaterra.

A Baronesa – Ela tem uma beleza divina. Alta, pálida, loiro e como que

transparente! É vaporosa como um sonho!

A Condessa – A do meu tem uma graça endiabrada! Baixa, muito

carnuda e adorável, com covinhas nas faces, os braços muito bem feitos,

lembra uma boneca.

A Baronesa – Tem uma elegância incomparável! Arrasta com magestade

a cauda dos elegantes vestidos e sobre a sua fronte real brilham os

diamantes que se dignou a aceitar da mão do meu marido.

A Condessa – Não é muito elegante, mas é muito elegante. Com um

qualquer enfeite de renda fica logo gentilissima!

A Baronesa – A amante do meu marido ama-o verdadeiramente!

Imagina que é viúva há dois anos e que já recusou, só para não deixar Mr.

De Marsiac, a mão dum reinante de um estado da Alemanha!

A Condessa – A do meu marido também lhe é fiel! Assegurou-me que já

há seis meses que não ceia senão com ele nos gabinetes reservados do

restaurante Voisin ou da Maison Dorée.

Assim conversam familiarmente no salão, forrado de seda palha, as duas

elegantes madames, enquanto as chávenas de chá fumegam ligeiramente

sobre uma elegante mesa de charão; e sentem-se cheias de compaixão,

daquela que despreza e chasqueia, pela pobre madame de Ruremonte,

cujo marido, segundo se diz é amante de uma bonita burguesa em casa de

quem se joga o loto às quartas feiras; e por madame de Levi cujo marido

está apaixonado por essa gorda Constância, que tem uns pés enormes!

FÁTIMA LOPES

UMA CAMPEÃ

Fátima Lopes é uma campeã de audiências. Quando iniciou o programa

"FÁTIMA", pensou vir a correr o mesmo risco de campeã que troxe do atletismo?

Sendo uma mulher que risca e arrisca, O ESTAFETA procurou interpretar o

significado dos seus dois livros, tambémeles campeões.

Amar depois de amar-te,

Vai ser uma nova experiência;

Se não estás bem vai até Marte,

Sempre deixas de me moer a paciência.

Escrever um pequeno grande amor,

A pensar em homens que não se medem

aos palmos;

E se às vezes o amor provoca dor,

ALMERINDO MARQUES E O SUCESSO

Almerindo Marques passou do audiovisual para as rodovias. Dizem as

inconfidências que ele vai transmitir a experiência que trouxe da RTP ásestradas, com duas inovações de génio: decidiu instalar o audio com o disco do

bacalhau do Quim Barreiros, para os

automobilistas não adormecerem. Quanto ao visual, vai instalar moinhos de vento

para afastar o nevoeiro.

No entanto, não aceitou bem a ideia quelhe deram de construir uma estrada

aérea, com cordas feitas de teias de aranha. Tanto mais que tem a oposição

dos defensores da biodiversidade.

FAVOR DUPLO.

Isto passou-se na Sertã. O Malaquis apercebeu-se de que o seu

merceeiro se preparava para viajar até Coimbra. Aproveitando a

ocasião, fez-lhe um pedido:

O senhor José pode levar-me um sobretudo?

- Claro que sim, responde o merceeiro. E entrego-o a quem?

- Se não se importar, eu vou dentro dele...

UM BOM CONSELHO

Estavam dois amigos à mesa de um café. Diz um deles:

- Não acreditas que o Saraiva ainda não me deu os 100€ que lhe emprestei?

- Diz o outro:

- Escreve-lhe a pedir os 200€ que te deve.

- Mas não são 200€....

- Vejo que não és perspicaz... Pedes-lhe os 200 € e ele vai responder-te que são só

100. Assim ficas documentado.

NO TRIBUNAL

Diz o juiz para o queixoso.

- Que fez o agressor depois de lhe dar o primeiro

murro?

- Deu-me o terceiro – responde.

- Então que aconteceu com segundo – inquiriu o juz

intrigado.

- Não, tratou-se de um acto bilateral.

- Bilateral!... Que história é essa?

- Não é história, é verdade... O segundo fui eu quem o

deu.

- Sendo assim, você deu-lhe o quarto...

- Já não me lembro, porque fiquei a dormir depois do

terceiro...

publicado por promover e dignificar às 22:01

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