Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Pagina 11

 

 

 

O SONHO DA INDIA

Esta peça teatral de 1898, é uma preciosidade rara escondida nos escaparates, na

altura impressa em papel de linho e de algodao de 1

Nacional, que nos conduz a uma epopeia de grande significado historico e cujos

personagens como D. Joao II, seu filho D. Manuel, Bartolomeu Dias, Diogo Cão, Vasco da

Gama e Bispo de Ceuta, nos transportam à época dos descobrimentos até final do seculo

XIX.

As peripécias envolventes são de relevante interesse documental e de um retrato fiel

das formas de vida dessas épocas. Por sua vez, esta peça dá-nos as mais exactas aventuras

no dominio dos mares, com Portugal no topo do mundo em materia de navegação.

Retrato este que será inserido sucessivamente nas paginas deste jornal e que

constitui um presente valioso aos nossos leitores, que não deixarão de ler, tal o fascinio que

nos suscita. Vamos à transcrição:

QUADRO PRIMEIRO

Um salão no paço. Uma meza com papeis, tinteiros, mappas, livros, um globo. Janella

gothica que dá para o Tejo. À meza escrevem e lêem Mestre José Hebreu, Mestre Rodrigo

Hebreu, e D. Diogo Calçadilha, bispo de Ceuta.

A scena passa-se em Santarém.

a qualidade, impressa na Imprensa

Mestre José

escolheu melhor.

– Parece-me que d´esta vez, El-Rei

Mestre Rodrigo

– De certo.

O Bispo de Ceuta

mas esqueceu-lhes, a elles e a nós, que não sabendo arabe, difficil lhes seria o passarem

Mestre José

– Nao foi tempo perdido, em todo o caso.

O Bispo de Ceuta

– Sobre tudo para elles que visitaram os logares santos.

Mestre Rodrigo

– Esse Prestes João tem-nos dado que fazer, sr. bispo.

O Bispo de Ceuta

– E continuará, se ainda d`esta vez teimar em nao aparecer.

Mestre José

– É que o teremos procurado mal.

Mestre Rodrigo

– E, quem sabe, até, se nao existe?

O Bispo de Ceuta

viajantes.

– Nao se póde duvidar. Fallaram n `elle Marco Polo e tantos outros

Mestre José

procurâmol-o na Africa. Não foi isto que o bispo de Gabala disse ao papa Eugenio III?

– Mas falaram d`elle, na Asia, alem da Armenia e da Persia, e nós

O Bispo de Ceuta

outros viajantes? É certo que desde o tempo do grande Infante navegador, noticias do

interior da Africa, o fazem mais perto de nós. Dizem que n´uma das Indias. Em qual das

tres? Aonde? É isso que ha a descobrir e saber claramente.

– No s eculo XII. Mas depois d`isso, nao daes fé ao testemunho de

Mestre Jose

Guiné, e que se alguma das suas cidades, d´elle Prestes, for situada junto ao litoral, que

lh`o faça saber, para que se liguem, exaltando a fé de Christo. Pode suppor-se que o seu

reino venha tocar a costa de Africa?

– Mas a carta de El- Rei diz-lhe que os nossos navios correm a costa da

O Bispo de Ceuta

– É bom prevenir todas as hypotheses, se nada sabemos ao certo.

(entra D. Joao II, o principe D. Affonso de 14 anos e o aio. Os tres levantam-se)

Mestre Rodrigo e o Bispo de Ceuta

– El-Rei.

D. Joao II

– Sentae-vos. Nao vieram ainda os emissarios?

O Bispo de Ceuta

– Esperam as ordens de Vossa Alteza.

D. João II, ao aio

– Levae-o a folgar um instante. Tende cuidado. Vae.

(beija o principe que sae)

D. Joao II

– Todas as indicações estão escriptas?

Mestre José

– Todas.

D. João II

– Que me não vão voltar para traz, como fr. António e Pero de Montarroyo.

Mestre Rodrigo

– Não voltarão.

D. Joao II

– Eles seguem de Lisboa a Napoles?

Mestre José

– Sim, meu Senhor.

D. Joao II

– Estão passadas as cartas de credito para o principe Cosme de Médicis?

Mestre José

– Estão, aqui.

D. João II

– Estaes terminando...

Mestre Rodrigo

caminh.

Rhodes, onde os cavalleiros portuguezes de S. João de Jerusalem lhes facilitarão a

passagem para Alexandria. Dirigir-se-hão ao Cairo e ahi procurarão as caravanas, fazendo

por alcançar o mar Vermelho. As informações que colherem ahi e até então, determinarão a

futura viagem de cada um, separadamente. Assentou-se que o ponto de encontro, na volta,

seja o Cairo.

– As ultimas informações sobre a viagem. Pareceu-nos ser este o melhor(Lendo) D`aqui a Napoles, com as cartas de credito que receberão. Passam a

D. João II

procura ha meio seculo, e nos foge como uma sombra!

– E, eu saberei, emfim, quem seja e onde vive esse mysterioso senhor, que se

O Bispo de Ceuta

– E encontrado por terra...

D. João II

nao terei que invejar a todos os reis da Europa, reunidos.

– Eu o encontrarei pelo mar. (Passeia) Se o encontro, amigos, eu vos juro mas

O Bispo de Ceuta

sao habeis e ousados. Vão munidos de todas as instrucções e poderes, estranho será que o

nao achem.

– Nem tereis de quê. Deus fará que se encontre d´esta vez. Os emissários

D. Joao II

Interna-se na Africa á maneira que invadimos Marrocos... É como um rei mouro encantado

na sua fabulosa India, como qualquer walli que o povo julga, ainda, viver encerrado e

Mestre Rodrigo

– Cercado de riquezas...

D. João II

– Como elle.

Mestre José

– Temos de descobrir a fórma do desencantamento.

D. João II

opulenta Veneza. Vêde o que seria o porto da nossa bella Lisboa se conseguissemos desviar

para elle todo o commercio do Oriente! O que elle é hoje, já, exportando apenas os nossos

azeites e vinhos: o que seria se pudessemos fornecer á Europa as especiarias que valem

tanto como o oiro, as perolas, os rubins, as esmeraldas! Hei de conseguil-o. Não me basta o

senhorio da Guiné. A Hespanha vizinha é muito grande e eu tenho um filho!

energico)

a dividir a terra ao meio.

– É esta. Procural-o. Chegar a essa India maravilhosa que enriquece o Turco e(Pensativo eEssa Africa nao tem fim: esse continente não acaba, nunca! É como uma barreira

Mestre José

– Ha de acabar.

D. João II

os emissarios. Eu volto já.

– Um dia, espero em Deus! Havemos de saber o que está do outro lado. Chamae(Sae)

(Entram os emissarios Pero da Covilhã e Affonso de Paiva, e com elles Ruy de Pina, Garcia

de Rezende, Diogo Cão e mais fidalgos)

Mestre José

que ser ordena, se quereis sentar-vos...

– Sr. Ruy de Pina, como tendes de tomar notas, para as vossas chronicas, do

Ruy de Pina

– Cedeis-me o vosso logar, Mestre José?

Mestre José

- Honral-o heis.

Ruy de Pina

– Agradeço-vos. (Senta-se e toma notas)

Garcia de Rezende

– Mais uma tentativa?

Mestre José

– Que não será a ultima. El-Rei nao é dos que desanimam.

Garcia de Rezende

– E ainda menos dos que recuam.

O Bispo de Ceuta

India e d´esse Prestes?

– Na vossa ultima viagem, sr. Diogo Cão, nada de novo soubestes d´essa

Diogo Cão

Seria dificil distinguir que qualquer d´elles fosse o Prestes, e é mesmo quasi certo que

nenhum o seja. Não é natural que principe de tanto poder, christão, tenha o seu reino entre

gentes tao selvagens.

– Nada, serio. Os negros falla sempre, vagamente, de principes, do interior.

Gracia de Rezende

– São gentes de valor.

Diogo Cão

– Como?

Garcia de Rezende

– Como mercadoria. Vendem-se bem por cá.

Diogo Cão

– Gracejaes sempre, sr. Garcia de Rezende.

Garcia de Rezende

partido?

– Uns gracejam, os outros vendem-nos. Quaes ficam de melhor

O Bispo de Ceuta

– Já se não faz .

Diogo Cão

– El-Rei prohibiu-o, severamente.

Ruy de Pina

– Já se não faz? Daes-me a vossa palavra?

Diogo Cão

– Para que a quereis?

Ruy de Pina

– Para o notar na chronica de El-Rei.

Diogo Cão

– Mas podeis pôl-o.

Ruy de Pina

conquistar pela paz e pela amisade e não pela guerra; mas que se não faça...

– Que El-Rei prohibiu, sim; que as suas vistas politicas são mais altas:

Diogo Cão

vão, os colonos da Mina e os das ilhas que lá dão os seus saltos, captivem indigenas, será

verdade; é; mas não por vontade de El-Rei.

– Os navegadores, não. Que os mercadores que armam as suas caravellas e lá

Ruy de Pina

– É o primeiro fruto das colonias.

Mestre José

– O unico por ora.

Garcia de Rezende

– Unico? Então o marfim, o oiro?...

Ruy de Pina

– O mais facil de colher.

Diogo Cão

– Tambem não. A colheita tem custado a vida a muitos dos nossos.

O Bispo de Ceuta

– Até aquelles que só para o bem pretendem alcançal-os.

Ruy de Pina

– Os nossos missionarios? E muito têm feito já pela Guiné?

O Bispo de Ceuta

d`aquellas gentes, levantado feitorias e casas de ensino.

– Bastante. Já vão pelo Congo acima. Têem convertido varios reis, reis

Garcia de Rezende

– E sera vantajoso civilisal-os?

O Bispo de Ceuta

achaes, só n´isto, a maior vantagem?

– São almas para Deus, creaturas que entram na nossa fè de Christo. Não

Garcia de rezende

– Sem duvida.

Ruy de Pina

– Se será christão o tal Prestes?

O Bispo de Ceuta

– Diz-se que sim. A noticia tem tres seculos e não morreu.

Garcia de Rezende

– Isso vamos nós saber em breve.

O Bispo de Ceuta

– Como?

Garcia de Rezende

homem e verem os livros por que resa.

– Pero da Covilhã e Affonso de Paiva se encarregarão de descobrir o

Pero da Covilhã

se elle existe-; ou com a lenda desfeita, se é só o principe de contos esse tal principe.

– Vamos n`esse intuito. Por mim vos affirmo que nao voltarei sem o ve –

Garcia de Rezende

– E procural-o heis na Asia ou na Africa?

Affonso de Paiva

ou vivo!

– Em ambas as partes; e, é o caso de dizer que o havemos de trazer, morto(Entra El-Rei)

D. João II

, aos emissarios – Estaes promtos?

Pero da Covilhã e Affonso de Paiva

– Absolutamente.

D. Joao II

parecer.

minha parte, ao principe Cosme, o banqueiro e, para vosso uso particular – e porque

facilmente as podereis ocultar em caso de alguma necessidade – tamae esta bolsa de pedras

de valor, que trocareis quando vos for mister.

sabeis o que fazer mercê a quem bem vos serve.

– Tendes aqui todas as informações de que vos servireis como melhor vos(Mestre José vae dando) Dae-lhe a ordem para Napoles. Apresental-a-heis, da(Dá-lh´a) Nao poupeis os vossos esforços:

Pero da Covilhã

– Muito bem o sabemos, Senhor.

Affonso de Paiva

nao rejeitemos se a merecermos. É maior o amor por Vossa Alteza do que a nossa ambição.

Por ele, em vosso serviço e empenho, arriscaremos tudo para vos trazer as melhores novas.

– Creia Vossa Alteza que nos não move a mira de recompensa, bem que a

D. João II

onde estiverdes. Recompensarei o portador e terei occasião de serenar a impaciencia em

que fico, desde que partaes.

– E não heis de arrepender-vos.. E, sempre que puderdes mandae-me noticias de

Diogo Cão

– O que pensaes em Bartholomeu Dias!

D. João II

dezassete, e não sei o que terá acontecido...nenhumas noticias...

– Vós o sabeis. Desde que ele partiu. Dia e noite. Já lá vão dezoito mezes, quasi

Mestre Rodrigo

– Que passou pela Mina, sabe-se que iam bem.

D. João II

– Há que tempo.

Diogo Cão

– Bartholomeu Dias é um grande capitão.

D. João II

desconhecidos é quasi andar ás cegas. Não é verdade, Diogo?

– Sabedor e valente; mas os outros como elle lá têem ficado. Andar por caminhos

Diogo Cão

– Quasi que assim é, meu Senhor.

D. João II

– Tendes todas as instrucções e a ordem. A carta para o Prestes?

Mestre Rodrigo

– Eil-a. (Da-lh`a)

Pero da Covilhã

– Que mais manda Vossa Alteza.

D. João II

– Quando partis?

Pero da Covilhã

Pezzano.

– D`aqui? Já. Para Napoles? Amanhã, de Lisboa, na galé do genevez

D. João II

– Pezzano? Não andou já ao nosso serviço?

Mestre José

– Foi com Diogo de Azambuja e mestre Martim à Guiné.

Diogo Cão

– É um marinheiro habil.

D. João II

com a melhor vontade.

– Podeis partir. Se alguma cousa mais quereis que vos faça dizei, que vol-a farei

Affonso de Paiva

– Nada, meu Senhor.

D. João II

– Pois ide e acreditae que me ficaes no pensamento, e que desde já vos sou grato.

Affonso de Paiva

– Tanto nos basta, Senhor.

D. João II

– Adeus. (Da-lhe a mão a beijar) Deus vá comvosco.

Pero da Covilhã

Vozes

emissarios)

– Até à volta. (Saem os dois

D. João II

São habeis, são. Quanto me custa, hoje o

Ter recusado a esse genovez, a esse

Colon, os navios que me pedia. Era mais

uma experiencia e...quem sabe! Elle

tinha uma convicção profunda: lia-selh`

a nas palavras.

– São habeis os genovezes.

Mestre José

homem.

– É um erro o calculo d`esse

D. João II

entre nós. Que estudou largamente com

Perestrello...

– Não sei. Sei que aprendeu

Mestre Rodrigo

– Era uma loucura.

D. João II

que os homens de juizo nunca serviram

para aventuras.

– Quero-me com taes loucos,

O Bispo de Ceuta

Vêde se lhe têem dado os navios.

–Foi para Hespanha.

D. João II

pede ha já tres annos e aqui pediu tres

mezes. Teve pressa. Eu tinha mais do que

pensar n`aquelle tempo.

pensae que elle descobre a India por

onde diz?

– Elle os alcançará; que lá(Pausa) E

O Bispo de Ceuta

, ironico – Talvez.

D. João II

Segui as vossas opiniões e conselhos.

Estaes ahi os tres: Mestre Rodrigo,

Mestre José e vós D. Bispo. Sereis os

culpados. A mim compete-me guiar-me

pelo vosso saber e pelas vossas

consciencias.

– Lavo d´ahi as minhas mãos.

Mestre José

fallamos, sempre , Senhor. Sempre,

desde o grande Infante, que a terra da

India se procura pelo sul.

– Com ella nas maos vos

D. João II

caminho? Não póde haver?

– E não haverá outro

Mestre Rodrigo

por onde elle quer, esse caminho será dez

vezes mais longo do que o do sul. Que

vantagem haverá em o seguir?

– E se houver caminho

D. Joao II

o ter contentado.

– Nao sei. Tenho pena de não

(Um fidalgo entra)

O Fidalgo

– Pordoae, meu Senhor.

D. João II

– Que é?

O Fidalgo

Noronha acaba de chegar de Lisboa e – Onde está?

O Fidalgo

tanta pressa traz que me disse que viesse

prevernir-vos da sua chegada.

– Apeia-se no pateo; mas

D. João II

– Que nova trará?

O Fidalgo

seu rosto. Eil-o

– Boa é por certo a julgar pelo

(Noronha entra; atrás o principe e o

aio).

D. Pedro de Noronha

– Daes licença?

D. João II

entra e beija a mão ao Rei)

tanta pressa?

– Entrae. O que (Noronhavos traz com

D. Pedro de Noronha

desejo de vos dar a mais agradável das

novas.

– Meu Senhor, o

D. João II

– Dizei.

D. Pedro de Noronha

Bartholomeu Dias...

– Chegou

D. João II

– Ah!

D. Pedro de Noronha

Coelho.

– E Nicolau

D.João II

– Bemvindos; e que mais?

SENHOR

ANUNCIANTE

Este jornal tem temáticas

intemporais , vai ser lido

relido e

guardado.

Tenha isso em atenção e dê-nos o seu anuncio.

 

PATROCÍNIOS

Este jornal deseja estabelecer

patrocínios com empresas,

organismos oficiais e outros.

C o r r e s p o n d e r e m o s c o m

reportagens e outras formas de

divulgação ou promoção.

Neste ãmbito, iremos aumentar o

número de páginas nas próximas

edições.

Aguardamos os competentes

contactos.

D. João II

– Meu Senhor, D. Pedro de
– Que elle fique com Vossa Alteza, meu Senhor.

na sua fabulosa India, como qualquer walli que o povo julga, ainda, viver encerrado em

nossos velhos castellos...

– Praza a Deus. Fugiu diante das caravellas do Infante e das de El-Rei meu pae.

para lá de Alexandria.

– Fr. Antonio de Lisboa e Pero de Montarroyo eram bons enviados;
publicado por promover e dignificar às 23:08

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