Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Pagina 14

O Leão e a Águia foram à bola...

Algures numa selva onde vivem muitos animais e parasitas vários, e onde democraticamente prevalece a Lei da Selva, reinam o Leão e a Águia.
     O Leão domina o território à superfície. Impõe respeito mas não faz nada. Ele inspira-se no modelo selvaticamente prepotente vingente  e subjacente  dos mandões das selvas urbanas. O seu maior prazer consiste em dormir. Nem tempo tem para comer. Só enche o seu bulho de 3 em e dias e quando a sua madame rainha lhe serve a refeição preferida: veado ao natural, com alguns acepipes de formigas, lagartas e moscas varejeiras.
     A Rainha da Selva é uma Leoa que, ás vezes, coabita com o Rei Leão. Mas também é censurada pela Águia e por outros passarões que, lá do alto, enquanto voam, a observam na galderice com outros leões que, para além de andarem muito sujos, muito mesmo, não pertencem áquele meio social, sendo mais feios que os chafordeiros dragões, quando emergem da lâma dos pântanos.
     A Águia gosta de dar nas vistas e de apanhar o ar das alturas. Às vezes planeia, lá do alto, com as asas bem abertas e mostrando as garras na sua intimidação justiceira, mas com muita anarquia. Uma espécie de justiça à portuguesa... Umas vezes julga o rato pelo coelho e outras a galinha pela raposa. Ela dá cada mergulho na atmosfera que até assusta os lagartos  e as gaivotas que, pobrezinhos, vivem desprotegidos pela mata fora.
     Foi prestes a desenrolar-se e a enrolar-se um jogo de futebol selvaticamente civilizado entre os lagartos e as gaivotas, que a Águia acordou o Leão para a acompanhar ao futebol. O mandrião do Leão, todo cheio de sorna, não atava nem desatava. Mas foi obrigado a pôr-se de pé quando a Águia  lhe arrepelou a juba. O Leão barafostou, rugindo:
- Tira as manápolas da permanente!...
Felizes e cheios de presunções clubistas, lá foram ao futebol. O Leão passava e passeava pelo seu território com  movimentos atléticos da sua cintura - uma espécie de dança do ventre. Ele deixava os outros bichos álerta  e meio aterrorizados.
A Águia lá ia puxando pelo Leão, com uns saltinhos mansos e umasacrobaciasquedalivre.
Chegaram finalmente à planicie das tormentas, onde se situava o Estádio do Pantanal.Éuma espécie de Estádio da Luz. De facto tem toda a luz do dia, com uma pequena diferença: não tem bancadas...
Começou a preparar-se o grande desafio. De um lado estavam as gaivotas, do outro os lagartos. As gaivotas pintaram o seu equipamento de encarnado, enquanto os lagartos se apresentaram com o seu verde natural.
O Leão subiu a um ponto mais alto, levantou uma das pernas traseiras e verteu ali a sua urina perfumada de odor fétido. Estava a demarcar o seu território...
A Águia já estava empoleirada num galho da arvore que servia de guarda-sol ao Leão. Achou que o que ele acabava de fazer devia ser investigado. Intrigada, interpelou-o:
   -  Onde é que tu trazes essa água de rato podre?...
O Leão,  numa pose antipática, olhou lá para cima, basculhou bem as partes intimas da Águia e passou a tirar rabanetes da cachola, perguntando:
- Por onde é que tu fazes xixi?...
A Águia, abanando as penas do rabiosque e cheia de maneirismos, respondeu:
- Eu não faço xixi: não ando por aí a poluir a selva...
E o leão prosseguiu:
- Tu só tens um furo no traseiro. 
    Como é que engravidas?
A Águia, não tendo nada a esconder e procurando ganhar aos pontos, esclareceu tudo:
- Eu ponho ovos, que são fertilizados pelo meu macho quando brincamos às cavalitas. E faço tudo pelo mesmo furo!...
O Leão encheu as ventas de ar, respirou fundo e disse, baixinho para si mesmo, batendo com as manápulas numa pedra, que lhe servia de secretária: :
- Bolas, bolas, bolas... Esta está a copiar os maus hábitos dos humanos, que misturam tudo! A Águia tem de mudar. Na minha selva vai ser tudo diferente: não vamos ser tão civilizados...
Mas a Águia quis tirar mais uma dúvida  e perguntou ao Leão:
- Como é que a tua raínha Leoa tem os bebés? Será por um furo igual ao meu?..
O Leão, que tivera esgotado toda a paciência pedagógica, ainda conteve o seu ímpeto feroz, dizendo apenas:
-    É isso mesmo, pelo mesmo furo, com uma pequena diferença: desviado 2 garras...
Esta desinibida conversa foi interrompida porque o jogo estava a começar. O árbitro, bem disfarçado com teias de aranha em cima das escamas, apitou para o inicio do jogo com um sopro de labaredas.
O árbitro era um dragão, que parecia mais uma centopeia em tamanho grande. Aliás, havia ali outro rei, que era mesmissimamente o dragão árbitro: um animal sempre suspeito porque não era visto.
O jogo estava muito equilibrado, fora alguns arrancar de penas e chicotadas de rabo por parte dos lagartos, e várias bicadelas e pisadas de calos por parte das gaivotas.
Mas o capitão lagarto cometeu uma infracção maior: com um malandreco rodupiar de cauda rasteirou a capitã gaivota, que ficou com as pernas para o ar e com as roupas interiores recolhidas.
O árbitro dragão não assinalou a falta, o que procovou um zurzedor piar das gaivotas. Tanto com o bico como com o planear das asas tentaram intimidá-lo. Mas este não reagia e ficou tudo em silêncio ao verificar-se que as pancadas que levava soavam a lata velha. Só se ouvia: tlãn, tlãn, tlãn...
O jogo foi suspenso até ser apurada a origem daquele árbitro: se pertencia a alguma selva deste mundo ou se era algum robot vindo dos mundos dos arredores.
Na manhã seguinte toda a bicharada se aproximou do lago chafordado lá da zona, onde através da água e pela internet da bicharada  eram vistas as imagens e as noticias de toda a actividade do mundo selvático.
Por fim, foram exibidas as imagens de outro mundo: o mundo civilizado. Quando apareceram as do campeonato português, todos os bichos foram unanimes num ponto de exclamação:
- Livra, nunca irei viver naquela selva!!


ASSIM NÃO!...

O autocarro circulava aos solavancos e três senhoras que íam de pé estavam exaustas. Um cavalheiro levantou-se, dizendo para elas:
- Eu cedo o meu lugar à mais idosa ...
- Resposta delas.
- Aqui não vai nenhuma senhora idosa!
Nenhuma se sentando, o cavalheiro retomou o seu lugar.

 

Poesia Satírica

Bocage

Arguto observador da sociedade, Bocage foi a consciência crítica de uma ordem social que se encontrava em profunda mutação. Neste contexto, não surpreende que tenha cultivado a sátira, género que estava em sintonia com a sua personalidade e que servia integralmente os seus desígnios de carácter reformador.
A rivalidade entre Bocage e outros poetas da época transparecia nos  ataques pessoais em quadra ou em soneto, alguns dos quais se caracterizaram por uma extrema violência.
A crítica acutilante de Bocage estendeu-se também ao clero. Em causa estava a incoerência daquela classe social, que apregoava do púlpito a virtude e tinha uma prática quotiana que se encontrava exactamente nos antípodas. Eis uma quadra satírica atribuída a Bocage, que visa o clero:
“Casou-se um bonzo da China
Com uma mulher feiticeira
Nasceram três filhos gémeos
Um burro, um frade e uma freira.”

No século XVIII prevalecia um puritanismo limitador. Pode afirmar-se que a poesia erótica de Bocage adquiriu uma dimensão mais profunda do que a que foi composta anteriormente. Pela primeira vez, é feito um apelo claro e inequívoco ao amor livre.
Só cerca de cinquenta anos após o falecimento do poeta foram publicados pela primeira vez as suas poesias eróticas. tendo  a obra saiu clandestinamente, sem editor explícito e com um local de edição fictício na capa.

       Nascemos para amar
Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade.
Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n’alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.
Qual se abismou nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos descorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.
Amor ou desfalece, ou pára, ou corre,
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.
        Mais doce 
 “Mais doce é ver-te de meus ais vencida
Dar-me em teus brandos olhos desmaiados
Morte, morte de amor, melhor que a vida"

 

CORRECÇÃO INCORRECTA

- Elvira, vai ao correio entregar estas duas cartas - disse a patroa para a empregada.
 No regresso, pergunta-lhe:
- Meteste cada carta na caixa certa?
- Meti, sim. Mas tive de trocar as moradas...
- Então porquê?
- É que a senhora colocou o selo de menor valor na carta que ía para a América e o de maior valor para a que ía para o Algarve...
- E porque não trocaste os selos, como devia ser?
Minha senhora, eu fiz o que era mais fácil...

publicado por promover e dignificar às 10:41

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