Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Pagina 13

O TRABALHO

A FORÇA DA CIVILIZAÇÃO E DO CONFORTO

 

 

Se não devemos ser escravos do
 trabalho, também não devemos
 escravizar-nos por falta dele.

 

De "Biblía do futuro"
                  ( transcrição autorizada)

 

Só os animais irracionais sobrevivem sem ttabalhar. Os herbívoros pelos vegetais, os carnivoros pela caça. E se as formigas e as abelhas  também produzem os seus alimentos, é porque são racionais.
     O homem já viveu nas condições em que vivem os irracionais. Sem casa, sem lume, sem roupa, sem instrumentos de trabalho e com pouca inteligência. Todavia era engenhocas e, na sequência do tempo, foi-se aperfeiçoando e chegou ao que é hoje. Já vive de forma civilizada, em que o conforto obriga ao trabalho para a produção e aquisição dos meios para a habitação, vestuário, alimentação, saúde e higiene.
     Estéticamente, o homem revela-se um ser devidamente civilizado e exprime, pela sua postura, bom nível intersocial. O que mais lhe falta para completar a sua condição superior é a construção da paz e a melhoria da prática da humanização.
Os povos que vivem em zonas tropicais ainda pautam a sua vivência por um misto de primitivismo e pré civilização. Muita gente vive em cabanas, casas de palha e de tijolos de barro. Sentem-se bem assim, fazem a comida à porta de casa e os lugares em que vivem possuem condições térmicas por vezes melhores que as dos edificios arquitectonicos. Os seus dirigentes consideram que o problema habitacional não é dos mais preocupantes, já que os cidadãos o resolvem pelos seus próprios meios. Algumas moradias que ficaram abandonadas devido à fuga de estrangeiros em face da violência que foi criada a seguir às descolonizações, foram ocupadas pelos nativos.Alguns meteram as ovelhas e as cabras nessas moradias e passaram a viver fora delas, porque era assim que se sentiam bem.
Para essas populações o trabalho não é para se fazer, é para se ir fazendo. Vivem envolvidas por alguma indolência e por vezes sobrevivem através de produtos de auto-suficiência, como sendo a mandioca, o milho, o peixe, a caça e o óleo dos frutos das palmeiras. Para se vestirem bastam as pequenas receitas da venda de alguns produtos agricolas. Mas esta paz e esta tranquilidade têm sido perturbadas com a eclosão de guerras entre movimentos e grupos étnicos.
Por vezes são assaltadas e levam-lhes tudo o que têm. Concretamente, há muita coisa a mudar neste estado de coisas, quer se trate da ascendência à civilização real, quer no que toca ao aumento de produtividade, mercê do processos laborais mais desenvolvidos.

PRODITIVIDADE
Nem sempre a produtividade aumenta pela necessidade de maior esforço fisico. Os métodos e os meios empregues, de forma evoluída, são os que expressam a virtude da rentabilidade. Por vezes a culpa não é toda dos métodos e dos meios, é também da inacção em que os trabalhadores e os que neles mandam se deixam envolver. Aqui impõe-se a disciplina, a educação perante os factos e a conscencialização.
Em Portugal, a produtvidade situa-se em cerca de 50% em relação a outros países como a Espanha, França, Alemanha, Inglaterra e os da América do Norte. É essa  a razão de muitos trabalhadores portugueses ganharem menos que os de outros países. Por seu lado, a rentabilidade menor conduz à falta de competitividade.
Também deparamos com a manifestação do que, pouco trabalhando, reclamam da sua condição de alegados escravos. Ficam aquém da produção normal, mas não têm esse facto em conta. Quando têm necessidade de emigrar e já empossados das funções nos países que os recebem, não têm a mesma postura, pois, se a a tivessem, tinham de regressar ao seu local de origem. Assim se compreende que os portugueses são avaliados pelo seu trabalho no estrangeiro, enquanto os que cá ficam são criticados.O mesmo acontece com os trabalhadores de África vindos para a Europa. Ou trabalham com afinco, ou regressam à miséria em que estavam envolvidos
No trabalho não pode funcionar a fantasia nem a demasiada indolência. Quando vemos grupos a defenderem insistentemente a condição dos trabalhadores, esses são os que menos trabalham. Porque os que trabalham de verdade assumem seriamente as suas funções e não necessitam de reivindicações para serem bem remunerados em função do que fazem.
Já a outra escala, os tecnocratas e os intelectuais perdem muitas vezes terreno em relação áqueles que, designados práticos ou autodidactas, aliam a vontade e o empenho à experiência. Nesta condição até é possivel suprir algumas deficiências. O saber não se revela se não for posto em prática na devida dimensão. Esta conclusão não tem vinculo geral nem sequer da maioria, porque estou cônscio de que a modernização e a evolução do trabalho só se materializarão com a formação técnica e através dela. Além do mais, os indolentes e os distraídos enquadram-se numa ridicula minoria, como é ridiculo o seu desempenho.
Outra caracteristica que pesa negativamente nos valores do trabalho é o exercicio dos cargos pela mediocridade. Aqui as repercussões são bem mais elevadas. Os maiores índices d instabilidade e de desorganização têm sido provocados por individuos que atingem o topo da hierarquia da regência, sem nunca se desprenderem da sua condição de mediocres, sendo também responsaveis pelo arrastar da mediocridade. Conseguem o poder à custa de processos marginais à competencia e bom senso. Os saberes e as competências não se revelam eficientes se não forem moderados pelo bom senso.
Lamentavelmente, a mediocridade tem um peso nefasto muito grande e contrapõe-se às competencias e às indoles saudáveis. São muitos os que não aceitam cargos onde a mediocridade reina. Ela tem sempre uma seta apontada aos de maior valia. Chega a formar uma teia que asfixia. Teia essa que avoluma a mediocridade onde se instala. Estas teias instalam-se mais nas repatrições do Estado e estatizadas, e nas empresas estatais onde o compadrio se faz notar.
O efeito nefasto é ainda maior quando a mediocridade atinge as chefias dos Estados. Todos nós sabemos um pouco quem são, mas não é necessário designar nomes para se encontrarem. Basta olharmos para os países mais atrasados na economia, na acção social e na pacificação, enquanto continuam a dar laras à violência, aos dogmatismos e fanatismos, e às mentes poluídas pela insensatez dos costumes e da perversão.

O  CAPITAL  MAIOR
O maior capital que um país pode amealhar, reside no capital humano. Vejamos países de poucos recursos que conseguem progredir mais que alguns dos que comportam elevadas riquezas. Acontece que a necessidade de evoluir e prosperar não se compadece da mediocridade.
Na medida em que a competência e o bom senso destronarem a mediocridade, o mundo passará a ser bem melhor.
Entremos no campo da especialização. O selectismo e a especialização tornaram-se, em muitos casos, contraproducentes para as melhorias. Um médico de clinica geral pode ser mais util e eficiente em relação a um gastrologista, que para tratar ulceras ou gastrites, cujas causas assentam na degradação do sitema nervoso, mandam os seus pacientes para os especialistas do sistema neuro-psiquico. Ora o clínico geral, sem ajudas, trataria estas doenças pelas terapias adequadas: os sintomas - das úlceras e das gastrites - com medicamentos depurativos e cicatrizantes. Por sua vez o stress e o sistema nervoso como causas, seriam tratados com moderadores e bons tónicos, se tivermos em conta que o sistema nervoso necessita mais de ser fortalecido do que combatido. Neste caso, como em outros,os doentes ficariam favorecidos com a consulta do clínico geral.
     No mesmo âmbito, podemos exemplificar a função jornalística. Um profissional  da imprensa que, mesmo não sendo licenciado mas tenha versátil experiência em diferentes campos de acção, desde as simples ocorrências policiais e judiciais ao desporto, política e economia, pode produzir trabalho mais meritórico  que um seu colega que se formou numa única área. É que o primeiro consegue congregar os aspectos interligados com o tema principal, dando ao seu trabalho conclusões inerentemente de maior globalidade.
     Mas não tenhamos dúvidas, a especialização é irreversível e em muitas áreas justifica-se. O que se pretende é que o especialista, na medida do possível, possa reunir conhecimentos mais vastos relacionados  com a área da sua especialixação para poder ser mais útil e também para que as pessoas  necessitadas dos seus serviços não se colocoquem na qualidade de simples bolas de pingue-pongue e se desloquem, injustificadamente, de lado para lado perdendo tempo e dinheiro. E também para que as especializações não sirvam de mero intercâmbio na área dos negócios...

RELAÇÕES PATRÕES / EMPREGADOS
     Entrando nas relações laborais, acho de interesse mútuo que os patrões e os empregados formem uma família  na melhor das coesões. Numa óptica egoísta ninguém dá nada sem que tenha algo em troca. Mas sem egoísmos, a recipricidade de interesses tem de funcionar. A amizade também tem a ver com a troca de interesses e em algumas empresas essa recipricidade já funciona, embora possa melhorar.
     O patrão não pode ser amigo do empregado quando este não zelar pelos interesses em comum. Porque o empregado também fica prejudicando quando, em vez de executar um trabalho sério e rentável, cria cisões nos seus colegas e os atrai para as confrontações. Por sua vez, quanto maior for a rentabilidade  de uma empresa, melhor é a possibilidade de aumento dos ordenados. São os empregados que, pelo seu trabalho, têm de garantir as remunerações. Se acontecer o contrário, a empresa degrada-se e os empregados ficam em piores condições. Não se diz que amor com amor se paga?...
     No que respeita aos patrões, devem entender bem o que atrás ficou dito. Em primeiro lugar porque são os seus interesses que saem beneficiados, em segundo porque a paz laboral e o entendimento criam estabilidade, respeito e a amizade que nunca é de mais Ter presente. É de significativa importância que o empregado se sinta no seu local de trabalhlho como se estivesse em sua casa. Desta forma cria-se um estado de espírito de bem-estar e de solidariedade. E os patrões só têm a ganhar com a tranquilidade dos empregados.
Esta família também pode sofrer convulsões várias relacionadas com a concorrência e com a falta de escoamento, ou com um desastre qualquer. Convulsões que obrigatoriamente criam mal-estar e que até podem levar ao encerramento da empresa. Mas é nestas situações em que mais se faz sentir o entendimento e a solidariedade. Com o esforço conjunto pode ser possível assegurar o funcionamento até à vinda de melhores dias. Por vezes evita-se o pior dividindo os esforços e os prejuízos. Quando tudo melhorar  todos têm a ganhar.
     Por vezes, a instabilidade da empresa fica a dever-se a uma das partes, ou conjuntamente às duas. Os empresários não se podem esquecer de que os empregados  fazem parte da sua família  e que não devem cometer devaneios  ou aventiras conducentes à agitação e desastibilização familiar. Cada pessoa que inicia uma empresa e dá emprego tem de partir desse estatuto irreversível para sempre. Incumbe-lhes também a boa gestão, como imperativo de responsabilidade.
     De outra forma, se os empregados baixarem deliberadamente a produção e não se sintonizarem com os interesses da empresa, estão nitidamente a prejudicar os seus postos de trabalho. E a relação entre empregados deve estabelecer-se sempre no âmbito das boas intenções e não das más. O trabalhador que sob a influência dos outros seja despedido, fica a dever o seu afastamento aos colegas que não lhe pagam o ordenado quando estiver no desemprego. O conluio contra a entidade patronal é sempre desastibilizante e nunca favorece qualquer das partes.
     Existem as grandes empresas designadas de S.A., onde o patrão em concreto não existe. Os próprios empregados podem ser patrões na condição de sócios, depois de adquirirem acções. Funcionam sob um mecanismo em que os gestores principais também são empregados. A diferença entre estas e as outras não é significativa para os trabalhadores e as formas de comportamento  devem ajustar-se, quer se trate de pequena ou grande empresa.

SINDICATOS E GREVES
     Normalmente, os trabalhadores filiam-se nas organizações sindicais como base de apoio. Este direito existe e vai continuar, mas há muita coisa a mudar nos sindicatos, também em favor dos trabalhadores.
     Os sindicalistas são dirigentes cujo comportamento não se afasta muito do dos políticos na sua condição partidária. Se não organizarem protestos e greves podem até ser ignorados e perdem protagonismo e razão de existir. Gostam de dar a cara, discursar e aparecer na televisão, nem que seja por má causa ou por reivindicações oportunistas.. Têm de colocar em relevo a função que desempenham, mesmo que apenas não haja mais em causa que a simples rotina. Os sindicatos são necessários e devem ganhar crescente importância. Em funções bem definidas e específicas. Os seus filiados têm de contar com permanente apoio  quanto às informações de caracter social, na relação com o fisco e em todas as questões  interligadas com a entidade patronal. E podem convocar greves, quando houver razões para se entender que o diálogo se esgotou. Sempre em função das causas justas e nunca com propósitos rotineiros ou como promoção da imagem.

publicado por promover e dignificar às 10:48

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